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Caso cão Orelha: entenda por que o Ministério Público pediu o arquivamento da investigação

  • Foto do escritor: Jornal comunidade SC
    Jornal comunidade SC
  • 12 de mai.
  • 29 min de leitura
Foto: Divulgação - Agora Floripa
Foto: Divulgação - Agora Floripa

A morte do cão comunitário Orelha, que mobilizou moradores da Praia Brava, em Florianópolis, gerou comoção nacional, protestos por justiça e até repercussão internacional. Quatro meses após o início das investigações, porém, o caso tomou um rumo inesperado: o Ministério Público de Santa Catarina pediu o arquivamento das investigações por falta de provas.

O parecer, encaminhado à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, da Vara da Infância e Juventude da Capital, aponta que as provas reunidas ao longo da investigação não foram suficientes para comprovar que os adolescentes investigados participaram da morte do animal. Segundo o MPSC, análises técnicas, depoimentos, perícias e imagens revisadas indicaram inconsistências na linha investigativa inicialmente apresentada pela Polícia Civil.

O documento de 170 páginas sustenta ainda que não há comprovação de agressão direta contra Orelha e que a morte do cão pode estar relacionada a uma condição grave de saúde preexistente. O entendimento contrasta com a forte repercussão do caso nos primeiros meses do ano, quando autoridades chegaram a falar em cenas “de embrulhar o estômago” e moradores lotaram a Praia Brava em homenagens ao animal, que vivia havia cerca de dez anos na região.

Agora, caberá ao Judiciário decidir se aceita ou não o pedido de arquivamento. Enquanto isso, o caso segue cercado de dúvidas, controvérsias e questionamentos sobre a condução das investigações, os laudos periciais, as provas apresentadas e os caminhos que transformaram um dos episódios mais comentados do ano em um processo sem responsabilização criminal até o momento.



O que levou o Ministério Público de Santa Catarina a pedir o arquivamento do caso do cão Orelha?

Quatro meses depois de uma das investigações mais comentadas de Santa Catarina em 2026, o Ministério Público de Santa Catarina concluiu que não encontrou provas suficientes para sustentar a responsabilização dos adolescentes investigados pela morte do cão comunitário Orelha, encontrado em estado grave na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro. O pedido de arquivamento foi encaminhado na última sexta-feira (8) à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, da Vara da Infância e Juventude da Capital, responsável pelo caso que tramita sob sigilo.

A decisão do MPSC foi tomada após uma ampla reavaliação do inquérito conduzido pela Polícia Civil. O órgão analisou quase dois mil arquivos digitais, incluindo vídeos de câmeras de segurança, fotografias, dados extraídos de celulares apreendidos, depoimentos e novos elementos produzidos durante diligências complementares solicitadas ao longo dos últimos meses.

O parecer elaborado pelas Promotorias de Justiça possui cerca de 170 páginas e detalha uma série de inconsistências encontradas na investigação inicial. Segundo o Ministério Público, um dos principais fatores que levaram ao pedido de arquivamento foi a ausência de provas materiais que confirmassem a agressão contra o animal e a participação direta dos adolescentes apontados pela Polícia Civil.

No documento, o MPSC afirma que as novas análises periciais mostraram que o adolescente apontado como principal suspeito e o cão Orelha não estavam no mesmo local da Praia Brava no período em que a suposta agressão teria ocorrido. As análises indicaram que, enquanto o jovem aparecia nas proximidades do deck da praia, o animal estava a aproximadamente 600 metros de distância. Para os promotores, essa constatação enfraqueceu diretamente a principal linha investigativa apresentada pela polícia.

Outro ponto considerado decisivo foi o resultado das perícias realizadas no corpo do animal. Após solicitação do próprio Ministério Público, o corpo de Orelha chegou a ser exumado para produção de um novo laudo pela Polícia Científica. O exame, no entanto, não identificou fraturas no esqueleto do cão nem conseguiu apontar de forma conclusiva a causa da morte.

Embora o laudo tenha ressaltado que a ausência de lesões ósseas não descarta completamente a possibilidade de trauma craniano ou agressões em outras partes do corpo, o Ministério Público avaliou que os elementos técnicos produzidos não foram suficientes para comprovar que Orelha morreu em decorrência de espancamento.

As novas diligências também levantaram a hipótese de que o cão apresentava uma condição clínica grave e preexistente. Segundo o parecer, as evidências técnicas e testemunhais passaram a indicar que o agravamento do estado de saúde do animal pode ter relação com problemas anteriores, e não necessariamente com violência física praticada por terceiros.

Desde o início da investigação, o caso foi marcado por forte repercussão social e por declarações contundentes de autoridades. Em janeiro, o governador Jorginho Mello chegou a mencionar a existência de “provas de embrulhar o estômago” ao comentar o episódio. Na época, a Polícia Civil afirmou que trabalhava com a hipótese de agressão por objeto contundente e chegou a indiciar um adolescente por ato infracional análogo a maus-tratos contra animais.

Apesar disso, ao longo da investigação nunca foram divulgadas imagens que mostrassem o momento da suposta agressão. Também não surgiram testemunhas que afirmassem ter visto diretamente o ataque ao cão comunitário, conhecido por viver havia cerca de dez anos na região da Praia Brava e ser alimentado por moradores e comerciantes locais.

O caso ainda desencadeou outras investigações paralelas. Familiares de adolescentes investigados chegaram a ser alvo de apurações por suposta coação de testemunhas, enquanto o então delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, também passou a ser investigado nas esferas cível e administrativa por possíveis falhas na condução do caso. Em abril, o próprio Ministério Público entrou com ação civil pública por improbidade administrativa relacionada à investigação.

Agora, após meses de diligências complementares e reavaliação das provas, o Ministério Público entendeu que não existem elementos suficientes para sustentar medidas judiciais contra os adolescentes investigados. Com isso, o órgão pediu oficialmente o arquivamento do caso. A decisão final caberá à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal.

A apuração do portal Agora Floripa segue acompanhando os desdobramentos do caso que mobilizou moradores da Grande Florianópolis, provocou homenagens na Praia Brava e se tornou símbolo nacional do debate sobre maus-tratos a animais.



Quais foram as principais contradições encontradas pelo MPSC ao longo da investigação?

Ao longo dos meses de investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, o Ministério Público de Santa Catarina identificou uma sequência de inconsistências que mudaram completamente o rumo do caso. O material analisado pelas Promotorias de Justiça revelou divergências entre depoimentos, falhas na cronologia apresentada inicialmente, ausência de provas diretas e contradições envolvendo imagens, testemunhos e até a localização dos adolescentes investigados na Praia Brava, em Florianópolis.

As inconsistências começaram a ganhar força justamente após o aprofundamento das diligências complementares solicitadas pelo próprio Ministério Público. Em fevereiro, o órgão requisitou dezenas de novas medidas investigativas depois de identificar lacunas consideradas relevantes no inquérito conduzido pela Polícia Civil. A partir dali, vídeos foram reavaliados, celulares passaram por novas análises e testemunhas voltaram a ser ouvidas.

Um dos pontos que mais chamou atenção no parecer encaminhado à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal foi a divergência sobre o encontro entre o adolescente apontado como principal suspeito e o cão Orelha. A linha investigativa inicial sustentava que ambos teriam permanecido próximos por cerca de 40 minutos nas imediações do deck da Praia Brava. No entanto, segundo o Ministério Público, a reconstituição técnica dos deslocamentos mostrou outra realidade.

As análises indicaram que, enquanto o adolescente aparecia em uma área próxima ao deck, Orelha estava a aproximadamente 600 metros de distância. Para os promotores, isso enfraqueceu diretamente a principal narrativa construída durante o inquérito policial, já que não foi possível comprovar o contato entre eles no horário apontado como momento da suposta agressão.

Outro ponto contraditório envolveu os próprios vídeos usados durante a investigação. Algumas imagens divulgadas inicialmente passaram a ter interpretações diferentes ao longo do processo. Um dos registros mostrava uma adolescente ao lado do suspeito em determinado horário considerado relevante para a investigação. Em um primeiro momento, a presença dela foi tratada como peça importante da dinâmica do caso. Depois, a informação foi relativizada, e a jovem deixou de ser considerada testemunha direta da suposta agressão.

Também surgiram divergências sobre os horários em que Orelha apareceu circulando pela região. Um vídeo obtido durante as diligências mostrou o cão caminhando pelo bairro por volta das 7h da manhã, já aparentando estar debilitado. A imagem abriu uma nova linha de dúvida porque o horário não coincidia integralmente com parte da dinâmica apresentada inicialmente pela investigação policial.

As contradições também atingiram a própria materialidade do caso. Desde janeiro, a Polícia Civil trabalhava com a hipótese de que Orelha teria sido atingido na cabeça por um objeto contundente. O então delegado-geral Ulisses Gabriel chegou a mencionar publicamente a existência de elementos extremamente fortes sobre o caso, enquanto o governador Jorginho Mello falou em provas “de embrulhar o estômago”.

Apesar da repercussão e das declarações contundentes, nenhuma imagem da suposta agressão foi apresentada ao longo da investigação. O Ministério Público também destacou que não surgiram testemunhas presenciais que confirmassem o momento exato em que o animal teria sido atacado.

As divergências ficaram ainda mais evidentes após a exumação do corpo do cão comunitário. O novo laudo produzido pela Polícia Científica não encontrou fraturas no esqueleto do animal e tampouco conseguiu determinar de maneira conclusiva a causa da morte. Embora os peritos tenham ressaltado que a ausência de lesões ósseas não elimina completamente a possibilidade de trauma craniano, o exame acabou não confirmando a versão inicialmente sustentada de espancamento.

Outra inconsistência analisada pelo MPSC envolveu o caso do cão Caramelo, que inicialmente chegou a ser citado dentro da mesma linha investigativa envolvendo supostos maus-tratos praticados por adolescentes na Praia Brava. Em determinado momento, autoridades mencionaram uma possível tentativa de afogamento do animal. Com o avanço das investigações, porém, os episódios passaram a ser tratados separadamente, sem comprovação de ligação direta entre eles.

As próprias suspeitas envolvendo familiares dos adolescentes investigados também sofreram mudanças ao longo do processo. Pais e um tio chegaram a ser investigados por suposta coação de testemunhas após uma operação policial cumprir mandados de busca. Posteriormente, o Ministério Público rejeitou essa linha investigativa por ausência de elementos suficientes.

O relatório final produzido pelas Promotorias de Justiça foi baseado justamente nesse conjunto de divergências técnicas, cronológicas e testemunhais. A conclusão do órgão foi de que as inconsistências encontradas ao longo da investigação impediram a formação de uma base probatória sólida para responsabilizar os adolescentes investigados pela morte de Orelha.

A apuração do portal Agora Floripa acompanha que o caso segue sob sigilo judicial e aguarda decisão da Vara da Infância e Juventude da Capital sobre o pedido de arquivamento apresentado pelo Ministério Público de Santa Catarina.

 


Por que as provas apresentadas pela Polícia Civil não foram consideradas suficientes para responsabilizar os adolescentes investigados?

A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha chegou a apontar um adolescente como autor de ato infracional análogo a maus-tratos contra animais. A Polícia Civil sustentava que havia um conjunto de indícios suficientes para responsabilizá-lo, incluindo imagens de câmeras de segurança, horários de deslocamento, depoimentos e comportamentos considerados suspeitos ao longo da apuração. Com o avanço das análises feitas pelo Ministério Público de Santa Catarina, porém, as provas passaram a ser consideradas frágeis, contraditórias e insuficientes para sustentar uma responsabilização judicial.

O principal problema identificado pelo MPSC foi justamente a ausência de provas diretas que comprovassem a agressão contra Orelha e a participação dos adolescentes no episódio. Apesar da enorme repercussão do caso e das declarações contundentes feitas por autoridades nos primeiros dias da investigação, nunca foram apresentadas imagens mostrando o momento exato em que o cão teria sido atacado na Praia Brava, no Norte da Ilha.

As imagens analisadas pela Polícia Civil mostravam adolescentes circulando pela região durante a madrugada em que Orelha desapareceu, mas nenhuma gravação registrou agressões. Segundo o Ministério Público, as provas reunidas eram essencialmente circunstanciais, baseadas em interpretações de deslocamentos, aproximações e horários.

Um dos pontos centrais da investigação acabou se tornando justamente uma das principais fragilidades apontadas pelos promotores. A Polícia Civil sustentava que o adolescente investigado e o cão permaneceram próximos por aproximadamente 40 minutos nas imediações do deck da Praia Brava. No entanto, após novas análises técnicas realizadas durante as diligências complementares, o Ministério Público concluiu que os dois não estavam no mesmo local naquele período.

De acordo com o parecer entregue à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, análises periciais indicaram que, enquanto o adolescente aparecia próximo ao deck, Orelha estava a cerca de 600 metros de distância. A divergência foi considerada decisiva porque enfraqueceu diretamente a linha cronológica apresentada no inquérito policial.

Outro fator relevante foi a ausência de testemunhas presenciais. Ao longo da investigação, nenhuma pessoa afirmou ter visto o momento em que o cão teria sido agredido. O Ministério Público também avaliou que vários depoimentos apresentavam inconsistências e mudanças de versão, dificultando a consolidação de uma narrativa única sobre o que realmente aconteceu naquela madrugada.

As perícias técnicas produzidas durante o caso também não confirmaram a dinâmica inicialmente apresentada pela Polícia Civil. Desde janeiro, investigadores trabalhavam com a hipótese de que Orelha teria sofrido um forte golpe na cabeça com objeto contundente. A suspeita ganhou força após o cão ser encontrado debilitado, com ferimentos e sem reflexos neurológicos.

Mesmo assim, o novo laudo produzido após a exumação do corpo do animal não encontrou fraturas no esqueleto do cão comunitário. A perícia realizada pela Polícia Científica também não conseguiu determinar de forma conclusiva a causa da morte. Embora os especialistas tenham ressaltado que a ausência de lesões ósseas não elimina totalmente a possibilidade de trauma craniano, o exame não confirmou tecnicamente que o animal morreu em decorrência de espancamento.

Outro elemento analisado pelo Ministério Público foi a hipótese de que Orelha já apresentava uma condição clínica grave antes do episódio registrado em janeiro. Segundo o parecer, as evidências técnicas e veterinárias passaram a indicar que o estado de saúde do animal poderia ter relação com doenças ou problemas preexistentes, e não necessariamente com agressões físicas.

A investigação ainda enfrentou dúvidas envolvendo vídeos divulgados ao longo do caso. Algumas imagens apresentadas inicialmente como relevantes perderam força após reavaliações técnicas. Um vídeo que mostrava uma adolescente ao lado do suspeito, por exemplo, foi posteriormente tratado apenas como ilustrativo. Em outro registro, Orelha aparece caminhando pela região já aparentemente debilitado em horário que não coincidia integralmente com parte da dinâmica investigada pela polícia.

As suspeitas envolvendo familiares dos adolescentes também acabaram enfraquecidas ao longo das diligências. Pais e um tio chegaram a ser investigados por suposta coação de testemunhas após operações policiais e apreensões de celulares. Posteriormente, o Ministério Público concluiu que não havia elementos suficientes para sustentar essa linha investigativa.

Ao final da reanálise conduzida pelas Promotorias de Justiça e pelo grupo técnico criado para acompanhar o caso, o entendimento foi de que o conjunto probatório reunido não atingiu o nível necessário para responsabilização dos adolescentes investigados. Para o Ministério Público, embora existissem suspeitas e forte repercussão social, as provas produzidas ao longo da investigação não permitiam afirmar, de forma segura e conclusiva, que eles participaram da morte do cão comunitário da Praia Brava.

A apuração do portal Agora Floripa segue acompanhando os desdobramentos do caso, que agora aguarda decisão da Justiça sobre o pedido de arquivamento encaminhado pelo Ministério Público de Santa Catarina.



O que revelaram as novas perícias e diligências solicitadas pelo Ministério Público após a conclusão do inquérito?

As novas perícias e diligências solicitadas pelo Ministério Público de Santa Catarina mudaram significativamente o rumo da investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. Depois que a Polícia Civil concluiu o inquérito apontando a participação de um adolescente no caso, o MPSC decidiu aprofundar a apuração diante de lacunas, inconsistências e dúvidas encontradas no material produzido até então.

Em fevereiro, as Promotorias de Justiça responsáveis pelo caso requisitaram 35 novas diligências. O objetivo era revisar informações consideradas frágeis e esclarecer pontos que permaneciam sem resposta desde os primeiros dias da investigação. A partir daí, vídeos passaram por nova análise técnica, testemunhas foram novamente ouvidas e dados extraídos de celulares apreendidos começaram a ser reavaliados por um grupo técnico criado especialmente para acompanhar o caso.

Uma das medidas mais impactantes foi a exumação do corpo de Orelha, autorizada pela Justiça após pedido do próprio Ministério Público. O cão comunitário havia sido encontrado em estado gravíssimo no dia 5 de janeiro e morreu após ser submetido à eutanásia em uma clínica veterinária. Desde o início, a principal hipótese investigada era de agressão violenta.

O novo laudo produzido pela Polícia Científica, porém, trouxe conclusões diferentes das suspeitas que haviam dominado a investigação nos primeiros meses. A perícia não encontrou fraturas no esqueleto do animal, nem sinais conclusivos que confirmassem espancamento. O exame também não conseguiu determinar oficialmente a causa da morte de Orelha.

Os peritos destacaram que a ausência de lesões ósseas não elimina completamente a possibilidade de trauma craniano ou agressões em tecidos moles, mas o resultado acabou enfraquecendo a principal tese sustentada pela investigação policial: a de que o cão teria sido violentamente atacado com objeto contundente.

As diligências complementares também aprofundaram a análise da cronologia dos fatos. Técnicos revisaram imagens de câmeras de segurança e fizeram um novo cruzamento dos horários registrados ao longo da madrugada em que Orelha desapareceu. Segundo o Ministério Público, os novos estudos indicaram que o adolescente apontado como principal suspeito e o cão não estavam no mesmo local no período considerado decisivo para o caso.

De acordo com o parecer enviado à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, enquanto o adolescente aparecia próximo ao deck da Praia Brava, Orelha estava cerca de 600 metros distante daquele ponto. A informação passou a ser considerada uma das principais fragilidades da linha investigativa apresentada pela Polícia Civil.

Outra revelação importante surgiu da análise de vídeos considerados relevantes no início da investigação. Algumas imagens utilizadas para sustentar a dinâmica do caso passaram a ser interpretadas de forma diferente após a revisão técnica feita pelo grupo de trabalho do Ministério Público.

Um dos registros mostrava uma adolescente ao lado do jovem investigado em determinado momento da madrugada. Inicialmente, o vídeo foi tratado como peça importante da apuração. Depois, as novas análises concluíram que a gravação não comprovava participação direta na suposta agressão e perdeu força dentro da investigação.

As novas diligências também apontaram divergências sobre os horários em que Orelha foi visto caminhando pela região da Praia Brava. Um vídeo mostrou o cão circulando pelo bairro por volta das 7h da manhã, já aparentemente debilitado. A imagem passou a levantar dúvidas sobre o momento exato em que o animal teria sofrido qualquer possível agressão.

Além das perícias e das imagens, o Ministério Público reavaliou depoimentos prestados ao longo do caso. Algumas versões apresentavam diferenças em relação às primeiras declarações dadas ainda em janeiro, especialmente sobre horários, deslocamentos e encontros entre os adolescentes investigados.

Os celulares apreendidos durante a investigação também foram submetidos a novas análises técnicas. Apesar da expectativa em torno do material, o Ministério Público informou que os dados extraídos não produziram provas conclusivas capazes de ligar diretamente os adolescentes à morte do cão comunitário.

Outro ponto que ganhou força após as diligências foi a hipótese de que Orelha apresentava uma condição de saúde grave e preexistente. Segundo o parecer do MPSC, as evidências técnicas e testemunhais passaram a indicar que o estado clínico do animal pode ter contribuído para o agravamento do quadro que levou à morte, hipótese que não havia sido aprofundada no início da investigação.

Ao final da revisão conduzida pelas Promotorias de Justiça, o entendimento foi de que as novas provas produzidas não confirmaram a dinâmica inicialmente apresentada pela Polícia Civil. Pelo contrário: parte das diligências acabou revelando inconsistências, fragilidades técnicas e ausência de elementos concretos que sustentassem responsabilizações.

A apuração do portal Agora Floripa acompanha que o relatório final elaborado pelo Ministério Público possui cerca de 170 páginas e reúne análises de quase dois mil arquivos digitais, entre vídeos, fotografias, documentos e dados extraídos de dispositivos eletrônicos. Agora, caberá à Justiça decidir se aceita ou não o pedido de arquivamento das investigações relacionadas à morte do cão Orelha.



Como os laudos periciais enfraqueceram a hipótese de agressão contra o cão Orelha?

Os laudos periciais produzidos ao longo da investigação passaram a ocupar papel central no pedido de arquivamento do caso do cão comunitário Orelha. As análises técnicas realizadas após a morte do animal acabaram desmontando parte da principal linha investigativa sustentada nos primeiros meses do caso: a de que o cão teria sido brutalmente espancado na Praia Brava, em Florianópolis.

Quando Orelha foi encontrado em estado grave no dia 5 de janeiro, a cena causou forte comoção entre moradores da região. O cão, conhecido por circular havia cerca de dez anos pelas ruas e pela faixa de areia da Praia Brava, apresentava ferimentos, sinais de desorientação, ausência de reflexos neurológicos e dificuldades severas de locomoção. Poucas horas depois, diante da gravidade do quadro clínico, ele foi submetido à eutanásia em uma clínica veterinária.

Naquele momento, a principal suspeita levantada pela investigação era de agressão violenta. A Polícia Civil passou a trabalhar com a hipótese de que o animal teria sido atingido na cabeça por um objeto contundente. A repercussão cresceu rapidamente, mobilizando moradores da Grande Florianópolis, turistas, ativistas da causa animal e autoridades públicas.

Com o avanço da investigação, porém, os exames periciais começaram a revelar um cenário mais complexo do que o inicialmente apresentado. O ponto decisivo aconteceu após o Ministério Público de Santa Catarina solicitar a exumação do corpo do animal para realização de novas análises pela Polícia Científica.

O novo laudo produzido após a exumação não encontrou fraturas no esqueleto de Orelha. A perícia também não identificou lesões ósseas compatíveis com espancamento severo, algo que era esperado diante da hipótese inicial de agressão brutal. Além disso, os exames não conseguiram determinar de forma conclusiva a causa da morte do cão comunitário.

Os peritos destacaram no documento que a ausência de fraturas não elimina completamente a possibilidade de trauma craniano ou lesões em tecidos moles. Ainda assim, tecnicamente, o material produzido não confirmou que Orelha morreu em decorrência direta de agressões físicas.

Esse ponto passou a ser considerado um dos principais fatores para o enfraquecimento da tese sustentada no início da investigação. O Ministério Público avaliou que os laudos não produziram elementos técnicos suficientemente robustos para comprovar a dinâmica apresentada pela Polícia Civil.

Outro aspecto importante levantado pelas novas perícias foi a possibilidade de que Orelha apresentasse uma condição de saúde grave e preexistente. Segundo o parecer encaminhado à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, as análises veterinárias e os elementos reunidos durante as diligências passaram a indicar que o animal poderia já estar debilitado antes do episódio registrado em janeiro.

A hipótese ganhou força após a revisão de documentos veterinários, imagens e depoimentos obtidos ao longo da investigação. O entendimento do Ministério Público foi de que o agravamento do estado clínico do cão pode não estar necessariamente ligado a um ataque violento, mas também a problemas de saúde anteriores.

As perícias também entraram em choque com parte da narrativa pública construída nos primeiros dias do caso. Em janeiro, autoridades chegaram a mencionar a existência de indícios extremamente fortes de maus-tratos. O governador Jorginho Mello falou em provas “de embrulhar o estômago”, enquanto a Polícia Civil afirmava trabalhar com a hipótese de agressão por objeto contundente.

Apesar disso, nenhuma imagem da suposta agressão foi localizada ao longo da investigação. Os laudos técnicos também não conseguiram vincular diretamente os ferimentos observados no animal a um espancamento específico praticado por terceiros.

Outro detalhe importante apontado nas análises foi a ausência de marcas ósseas compatíveis com violência intensa. Em casos de agressão severa, especialmente envolvendo golpes contundentes na região craniana, normalmente são esperados sinais físicos mais evidentes nos exames periciais. No caso de Orelha, esses vestígios não foram encontrados de forma conclusiva.

As novas análises produzidas pela Polícia Científica acabaram influenciando diretamente o posicionamento do Ministério Público. O entendimento final foi de que, embora existissem suspeitas iniciais e forte repercussão social, os laudos não permitiam afirmar tecnicamente que o cão foi vítima de espancamento.

A apuração do portal Agora Floripa acompanha que o relatório final elaborado pelas Promotorias de Justiça reúne cerca de 170 páginas e detalha as conclusões obtidas após meses de perícias, diligências complementares e revisão de quase dois mil arquivos digitais relacionados ao caso.

Agora, a decisão sobre o pedido de arquivamento das investigações relacionadas à morte do cão Orelha ficará sob responsabilidade da Vara da Infância e Juventude da Capital.



De que forma as imagens de câmeras de segurança passaram a gerar dúvidas sobre a dinâmica do caso?

 As imagens de câmeras de segurança foram tratadas desde o início como uma das principais peças da investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. Foi justamente a partir da análise desses registros que a Polícia Civil construiu a linha investigativa que apontava a participação de adolescentes no caso. Com o avanço das diligências solicitadas pelo Ministério Público de Santa Catarina, porém, os próprios vídeos passaram a levantar dúvidas importantes sobre a dinâmica apresentada inicialmente.

Ao longo dos meses, os registros foram revisados diversas vezes por equipes técnicas, promotores e peritos. As novas análises acabaram revelando divergências de horários, inconsistências de deslocamentos e situações que não confirmavam de forma objetiva a versão sustentada no inquérito policial.

Um dos pontos centrais da investigação dizia respeito ao suposto encontro entre o adolescente apontado como principal suspeito e o cão Orelha durante a madrugada em que o animal desapareceu. A Polícia Civil sustentava que ambos teriam permanecido próximos por cerca de 40 minutos nas imediações do deck da Praia Brava, em uma área considerada decisiva para o caso.

Com o aprofundamento das análises técnicas, o Ministério Público concluiu que as imagens não comprovavam essa proximidade da forma inicialmente apresentada. Segundo o parecer encaminhado à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, as reconstituições feitas a partir das câmeras mostraram que, enquanto o adolescente aparecia próximo ao deck, Orelha estava a aproximadamente 600 metros de distância.

A constatação passou a ser considerada uma das principais fragilidades da investigação. Para o MPSC, as imagens não confirmaram que o adolescente e o cão estiveram juntos no mesmo ponto da praia no horário apontado como momento da suposta agressão.

Outra situação que gerou dúvidas envolveu um vídeo que mostrava uma adolescente ao lado do jovem investigado durante parte da madrugada. Inicialmente, o registro foi tratado como peça relevante para entender a movimentação do grupo. Em determinado momento da investigação, a jovem chegou a ser considerada uma possível testemunha importante da dinâmica do caso.

Com o avanço das diligências, no entanto, o entendimento mudou. As novas análises concluíram que o vídeo não comprovava participação direta na suposta agressão e passou a ser tratado apenas como um registro ilustrativo da circulação dos adolescentes pela região da Praia Brava naquela noite.

As imagens também começaram a levantar questionamentos sobre os horários considerados pela investigação. Um dos registros mais importantes analisados durante as diligências mostrou Orelha caminhando pelo bairro por volta das 7h da manhã do dia em que foi encontrado debilitado. O cão aparecia aparentemente desorientado e já com sinais físicos compatíveis com algum tipo de comprometimento.

O detalhe chamou atenção porque o horário registrado no vídeo não coincidia integralmente com parte da cronologia construída inicialmente pela Polícia Civil. A gravação passou a sugerir que o animal poderia já estar ferido ou debilitado em um momento diferente daquele apontado na principal linha investigativa.

Outro fator que enfraqueceu a força dos vídeos foi justamente a ausência de imagens do momento exato da suposta agressão. Apesar da intensa repercussão do caso e da grande quantidade de câmeras analisadas na região da Praia Brava, nenhuma gravação mostrou Orelha sendo atacado.

As imagens utilizadas ao longo da investigação mostravam deslocamentos, circulação de pessoas e movimentações na praia e nas ruas próximas, mas não registravam qualquer ato direto de violência contra o cão comunitário.

As novas análises também identificaram divergências entre os horários das câmeras e alguns depoimentos prestados ao longo da investigação. Em determinados momentos, testemunhos apontavam encontros ou movimentações que não eram confirmados pelos registros audiovisuais revisados posteriormente.

O Ministério Público ainda avaliou que parte da interpretação inicial das imagens foi baseada em suposições sobre comportamento e proximidade física, sem que houvesse confirmação objetiva do que efetivamente aconteceu naquela madrugada de janeiro.

As dúvidas geradas pelas câmeras de segurança acabaram tendo peso decisivo na reavaliação do caso. As imagens, que inicialmente serviram como base para sustentar a hipótese de agressão praticada por adolescentes, passaram a ser consideradas insuficientes para comprovar a dinâmica apresentada no inquérito policial.

A apuração do portal Agora Floripa acompanha que a revisão técnica dos vídeos integrou o relatório final de aproximadamente 170 páginas produzido pelas Promotorias de Justiça, documento que embasou o pedido de arquivamento das investigações relacionadas à morte do cão Orelha.

Agora, caberá à Vara da Infância e Juventude da Capital decidir se aceita ou não o arquivamento do caso que mobilizou moradores da Grande Florianópolis, provocou homenagens na Praia Brava e ganhou repercussão nacional ao longo dos últimos meses.



Qual foi o impacto da repercussão nacional e internacional na condução das investigações?

 A morte do cão comunitário Orelha rapidamente deixou de ser apenas um caso local da Praia Brava, em Florianópolis, e passou a mobilizar pessoas em diferentes regiões do Brasil e até fora do país. A repercussão nacional e internacional transformou a investigação em um dos episódios mais acompanhados de Santa Catarina em 2026, aumentando a pressão sobre autoridades, ampliando a cobrança por respostas rápidas e influenciando diretamente o andamento das apurações.

Nos dias seguintes ao aparecimento de Orelha em estado grave, moradores da Praia Brava começaram a compartilhar imagens, homenagens e pedidos de justiça nas redes sociais. O cão era conhecido havia cerca de dez anos na região e fazia parte da rotina de comerciantes, surfistas, moradores e turistas que circulavam pelo bairro no Norte da Ilha. A comoção cresceu de forma intensa após a confirmação da morte do animal.

Em pouco tempo, o caso ultrapassou Florianópolis. Publicações sobre Orelha passaram a alcançar milhões de visualizações, enquanto manifestações de indignação tomavam conta das redes sociais. A mobilização fez com que autoridades estaduais se pronunciassem publicamente ainda nos primeiros dias da investigação.

O governador Jorginho Mello comentou o caso e afirmou que existiam provas “de embrulhar o estômago”, declaração que aumentou ainda mais a repercussão do episódio. Paralelamente, a Polícia Civil passou a tratar o caso como prioridade, intensificando diligências, análises de câmeras de segurança e apreensões de celulares de adolescentes investigados.

A exposição pública também ampliou a pressão sobre a atuação da Polícia Civil e do Ministério Público de Santa Catarina. Conforme o caso ganhava espaço nacional, crescia a expectativa popular por uma resposta rápida e pela responsabilização dos envolvidos.

A repercussão internacional ocorreu principalmente em veículos voltados ao público hispanofalante, que destacaram a comoção provocada pela morte do cão comunitário e o debate sobre maus-tratos a animais no Brasil. A Praia Brava passou a receber visitantes que procuravam o local onde Orelha vivia e homenagens começaram a surgir espontaneamente na região.

Moradores improvisaram memoriais, flores, placas e mensagens em homenagem ao cão. O espaço acabou se tornando símbolo da mobilização popular que acompanhou o caso ao longo dos meses. Turistas de diferentes estados passaram a visitar o ponto movidos pela repercussão nas redes sociais e pela identificação emocional com a história do animal comunitário.

A dimensão do caso também impactou diretamente a condução institucional da investigação. Diante da pressão pública e da grande repercussão, o Ministério Público decidiu aprofundar a análise do inquérito policial antes de tomar qualquer decisão definitiva.

Em fevereiro, as Promotorias de Justiça solicitaram 35 novas diligências à Polícia Civil após identificarem inconsistências e lacunas nas provas apresentadas. O órgão também criou um grupo técnico específico para acompanhar o caso, revisar imagens, analisar celulares apreendidos e reavaliar depoimentos colhidos durante a investigação.

As diligências complementares incluíram medidas incomuns para casos semelhantes, como a exumação do corpo do animal para produção de um novo laudo pericial pela Polícia Científica. A decisão demonstrou o nível de atenção institucional gerado pela repercussão do caso.

Ao mesmo tempo, a exposição intensa passou a aumentar o debate sobre a condução das investigações. Com o avanço das análises técnicas, começaram a surgir divergências entre a narrativa inicial apresentada pela Polícia Civil e os novos elementos levantados pelo Ministério Público.

O então delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, também passou a ser alvo de questionamentos relacionados à condução do caso. Posteriormente, o Ministério Público abriu procedimentos para apurar possíveis falhas administrativas e entrou com ação civil pública por improbidade administrativa envolvendo aspectos da investigação.

A repercussão do caso ainda provocou impactos fora da esfera criminal. Em março, o governo federal anunciou o chamado decreto Cão Orelha, criado em homenagem ao animal. A medida estabeleceu multas que podem variar de R$ 1.500 a R$ 50 mil para casos de maus-tratos contra animais, podendo chegar a R$ 1 milhão em situações agravadas.

Enquanto as investigações avançavam, a mobilização popular seguiu forte na Grande Florianópolis. Orelha se transformou em símbolo da causa animal e passou a representar debates sobre proteção, abandono e violência contra animais comunitários.

Mesmo com toda a repercussão nacional e internacional, o Ministério Público concluiu, meses depois, que não encontrou provas suficientes para sustentar responsabilizações contra os adolescentes investigados. O pedido de arquivamento encaminhado à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal encerrou uma investigação marcada por forte pressão social, intensa exposição pública e grande mobilização popular.

A apuração do portal Agora Floripa segue acompanhando os desdobramentos do caso que transformou a Praia Brava em um dos principais símbolos da discussão sobre maus-tratos a animais em Santa Catarina nos últimos anos.


Como a investigação passou de “provas de embrulhar o estômago” para a ausência de elementos conclusivos?

Nos primeiros dias após a morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, o caso ganhou contornos de um crime brutal. As imagens do animal debilitado, a forte mobilização popular e as declarações públicas de autoridades criaram a percepção de que existiam provas contundentes sobre uma violenta agressão contra o cão que havia se tornado símbolo da região Norte da Ilha.

Foi nesse cenário que o governador Jorginho Mello afirmou publicamente que existiam provas “de embrulhar o estômago” relacionadas ao caso. A declaração rapidamente repercutiu nas redes sociais, fortaleceu a indignação popular e aumentou ainda mais a pressão por respostas rápidas das autoridades responsáveis pela investigação.

Naquele momento, a Polícia Civil trabalhava com a hipótese de que Orelha havia sido espancado com um objeto contundente durante a madrugada do dia 4 de janeiro. A investigação avançou com análise de câmeras de segurança, coleta de depoimentos, apreensão de celulares e identificação de adolescentes que estariam na Praia Brava no período investigado.

Com o passar das semanas, porém, a própria estrutura da investigação começou a apresentar fragilidades. Embora as autoridades falassem em fortes indícios de violência, nenhuma imagem da suposta agressão foi localizada. As gravações obtidas mostravam adolescentes circulando pela região e movimentações durante a madrugada, mas não registravam qualquer ato direto de violência contra o cão comunitário.

Mesmo assim, a Polícia Civil concluiu o inquérito apontando um adolescente como responsável por ato infracional análogo a maus-tratos contra animais. O entendimento policial se baseava principalmente em indícios, horários, trajetos percorridos e interpretações das imagens analisadas.

Foi a partir desse momento que o Ministério Público de Santa Catarina decidiu aprofundar a análise do caso. Em vez de apresentar imediatamente uma medida socioeducativa contra o adolescente investigado, as Promotorias de Justiça passaram a revisar toda a investigação em busca de elementos técnicos mais sólidos.

Em fevereiro, o MPSC solicitou 35 novas diligências à Polícia Civil após identificar inconsistências, lacunas e dúvidas importantes no inquérito. Um grupo técnico foi criado especialmente para reavaliar vídeos, dados extraídos de celulares, depoimentos e laudos periciais.

Conforme as novas análises avançavam, a narrativa construída nos primeiros meses começou a perder sustentação técnica. Um dos pontos que mais enfraqueceu a versão inicial foi a revisão das imagens de câmeras de segurança.

Segundo o parecer final encaminhado à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, as novas análises mostraram que o adolescente apontado como principal suspeito e Orelha não estavam no mesmo ponto da Praia Brava no período considerado crucial para a investigação. Enquanto o jovem aparecia próximo ao deck da praia, o cão estaria cerca de 600 metros distante daquele local.

A conclusão passou a colocar em dúvida a principal dinâmica sustentada pela investigação policial: a de que o adolescente teria permanecido com o animal durante aproximadamente 40 minutos antes da suposta agressão.

Outro fator decisivo foi o resultado das perícias realizadas no corpo do cão comunitário. Após solicitação do próprio Ministério Público, o corpo de Orelha foi exumado para um novo exame da Polícia Científica.

O laudo produzido após a exumação não encontrou fraturas no esqueleto do animal e não conseguiu determinar oficialmente a causa da morte. Embora os peritos tenham ressaltado que a ausência de lesões ósseas não elimina completamente a possibilidade de trauma craniano, os exames não confirmaram tecnicamente a hipótese de espancamento brutal que dominava o caso desde janeiro.

As novas diligências também revelaram divergências em depoimentos, inconsistências de horários e mudanças na interpretação de vídeos considerados importantes no início da investigação. Algumas imagens utilizadas como peças relevantes perderam força após reavaliações técnicas feitas pelo grupo de trabalho do Ministério Público.

Além disso, os dados extraídos dos celulares apreendidos não produziram provas conclusivas capazes de ligar diretamente os adolescentes investigados à morte do animal.

Outro ponto que passou a ser considerado pelas Promotorias de Justiça foi a possibilidade de que Orelha apresentasse uma condição grave de saúde preexistente. Segundo o parecer, as evidências técnicas e veterinárias levantaram a hipótese de que o agravamento do quadro clínico do cão poderia ter relação com problemas anteriores, e não necessariamente com agressões violentas praticadas por terceiros.

Com o avanço das revisões técnicas, o cenário que inicialmente parecia apontar para um crime esclarecido passou a ser tratado como uma investigação sem provas conclusivas suficientes para responsabilização criminal ou infracional.

A forte repercussão nacional e internacional do caso também contribuiu para ampliar a cobrança sobre as instituições envolvidas. Ao mesmo tempo em que aumentou a pressão popular por justiça, a exposição pública passou a exigir uma análise ainda mais rigorosa sobre a consistência das provas apresentadas.

Ao final de meses de diligências complementares, perícias e reavaliações, o Ministério Público concluiu que os elementos reunidos não atingiam o nível probatório necessário para sustentar acusações contra os adolescentes investigados. Foi com base nesse entendimento que o órgão pediu oficialmente o arquivamento das investigações relacionadas à morte do cão Orelha.

A apuração do portal Agora Floripa acompanha que o relatório final elaborado pelas Promotorias de Justiça reúne cerca de 170 páginas e detalha como uma investigação inicialmente apresentada como extremamente contundente terminou marcada por dúvidas, inconsistências técnicas e ausência de provas materiais conclusivas.



 O que aconteceu com as investigações paralelas envolvendo familiares dos adolescentes e suposta coação de testemunhas?

 Enquanto a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha avançava na Praia Brava, em Florianópolis, outro núcleo paralelo passou a chamar atenção das autoridades e da opinião pública: as suspeitas envolvendo familiares dos adolescentes investigados e uma possível tentativa de interferência no andamento do caso.

As apurações surgiram ainda nos primeiros meses da investigação, em meio à enorme repercussão nacional do episódio. Naquele momento, a Polícia Civil trabalhava com a hipótese de que familiares dos adolescentes poderiam estar atuando para influenciar testemunhas e dificultar a coleta de informações consideradas relevantes para o inquérito.

As suspeitas se concentraram principalmente em pais de adolescentes investigados e em um tio de um dos jovens envolvidos no caso. A linha investigativa ganhou força após relatos relacionados a um porteiro que teria sido pressionado durante o andamento das apurações.

Com base nesses elementos, a Polícia Civil deflagrou uma operação que cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados aos familiares. Celulares foram recolhidos e passaram por perícia, enquanto investigadores buscavam identificar possíveis mensagens, contatos ou qualquer elemento que pudesse indicar tentativa de coação de testemunhas.

Na época, o caso aumentou ainda mais a tensão em torno da investigação sobre a morte de Orelha. A repercussão foi imediata na Grande Florianópolis, especialmente porque as suspeitas passaram a ampliar o alcance da investigação para além dos adolescentes inicialmente apontados como envolvidos.

As diligências conduzidas pela Polícia Civil incluíram análise de aparelhos eletrônicos, revisão de conversas e reavaliação de depoimentos já prestados durante o inquérito principal. A suspeita era de que testemunhas poderiam ter sofrido algum tipo de influência ou intimidação relacionada aos relatos sobre a madrugada em que o cão desapareceu na Praia Brava.

Ao longo dos meses seguintes, porém, essa linha investigativa começou a perder força dentro do próprio Ministério Público de Santa Catarina. Durante a revisão aprofundada do caso, as Promotorias de Justiça passaram a reavaliar os elementos reunidos também nesse núcleo paralelo da investigação.

Segundo o parecer final encaminhado à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, os elementos produzidos ao longo das diligências não foram considerados suficientes para comprovar a prática de coação de testemunhas por parte dos familiares investigados.

O Ministério Público avaliou que as provas reunidas não sustentavam a continuidade dessa frente investigativa em âmbito criminal. Com isso, a linha relacionada à suposta interferência nas investigações acabou sendo rejeitada pelas Promotorias de Justiça.

As análises realizadas nos celulares apreendidos também não produziram provas conclusivas capazes de demonstrar articulação direta para alterar depoimentos ou intimidar testemunhas. O material passou por perícias técnicas durante meses, mas não resultou em elementos considerados robustos para responsabilização.

Outro ponto que enfraqueceu essa frente investigativa foi justamente a dificuldade de consolidar uma narrativa objetiva sobre os supostos episódios de pressão relatados durante o andamento do caso. Parte das informações levantadas inicialmente não encontrou confirmação suficiente ao longo das diligências complementares conduzidas posteriormente.

Enquanto isso, o caso principal seguia sendo reavaliado pelo grupo técnico criado pelo Ministério Público para revisar as provas relacionadas à morte de Orelha. O aprofundamento das análises acabou revelando inconsistências também na linha investigativa envolvendo os familiares dos adolescentes.

A repercussão nacional do caso contribuiu para que essas suspeitas ganhassem enorme visibilidade pública ainda nos primeiros meses do ano. A possibilidade de interferência nas investigações passou a alimentar debates nas redes sociais e aumentou a pressão sobre as autoridades responsáveis pelo caso.

Paralelamente, o então delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, também passou a ser alvo de questionamentos relacionados à condução da investigação. O Ministério Público chegou a instaurar procedimentos para apurar possíveis falhas administrativas e posteriormente ingressou com ação civil pública por improbidade administrativa envolvendo aspectos da condução do caso Orelha.

Com o avanço das revisões técnicas e a reanálise completa do material produzido ao longo da investigação, o entendimento final do Ministério Público foi de que não havia provas suficientes para sustentar acusações relacionadas à suposta coação de testemunhas.

A apuração do portal Agora Floripa acompanha que o relatório final produzido pelas Promotorias de Justiça reúne aproximadamente 170 páginas e detalha não apenas as fragilidades identificadas na investigação principal sobre a morte do cão comunitário, mas também as inconsistências encontradas nas linhas paralelas que surgiram ao longo do caso.

Agora, todas as conclusões apresentadas pelo Ministério Público, incluindo o pedido de arquivamento das investigações principais e paralelas, aguardam decisão da Vara da Infância e Juventude da Capital.


 O que muda agora após o pedido de arquivamento e quais são os próximos passos da Justiça no caso do cão Orelha?

 O pedido de arquivamento apresentado pelo Ministério Público de Santa Catarina representa uma mudança decisiva no caso que mobilizou a Praia Brava, em Florianópolis, e ganhou repercussão nacional nos últimos meses. Depois de uma investigação marcada por forte comoção popular, operações policiais, perícias, análise de celulares e reavaliação de imagens de segurança, o processo entra agora em uma nova etapa: a análise do Judiciário sobre o futuro definitivo do caso Orelha.

O parecer elaborado pelas Promotorias de Justiça foi encaminhado à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, da Vara da Infância e Juventude da Capital, responsável pelos procedimentos que tramitam sob sigilo devido ao envolvimento de adolescentes. O documento possui cerca de 170 páginas e detalha as razões técnicas e jurídicas que levaram o Ministério Público a concluir que não existem provas suficientes para responsabilizar os investigados.

Na prática, o pedido de arquivamento significa que o Ministério Público entendeu não haver elementos probatórios capazes de sustentar a apresentação de medida socioeducativa contra os adolescentes investigados nem o prosseguimento das linhas paralelas apuradas ao longo do caso.

Agora, a decisão final passa a depender exclusivamente da Justiça. A juíza poderá concordar com o entendimento do Ministério Público e determinar o arquivamento das investigações ou, caso considere necessário, solicitar novas diligências e aprofundamentos antes de decidir pelo encerramento definitivo do procedimento.

Como o caso envolve adolescentes, o processo tramita em sigilo judicial, o que limita a divulgação pública de detalhes mais sensíveis das análises produzidas ao longo da investigação. Mesmo assim, parte das conclusões do Ministério Público foi tornada pública diante da enorme repercussão social que o caso alcançou desde janeiro.

Com o pedido de arquivamento, também perde força a possibilidade de responsabilizações relacionadas às investigações paralelas envolvendo familiares dos adolescentes e suspeitas de coação de testemunhas. Segundo o entendimento das Promotorias de Justiça, os elementos reunidos nessas frentes investigativas também não foram considerados suficientes para sustentar medidas judiciais.

Outro ponto importante é que o arquivamento solicitado pelo Ministério Público não altera a repercussão social e simbólica que o caso Orelha provocou em Florianópolis e em outras regiões do país. O cão comunitário, conhecido havia cerca de dez anos na Praia Brava, se transformou em símbolo nacional da causa animal após a forte mobilização popular gerada pela investigação.

Mesmo após meses do episódio, o local onde Orelha costumava circular segue recebendo homenagens de moradores e turistas. A repercussão do caso também gerou impactos fora da esfera criminal. Em março, o governo federal anunciou o chamado decreto Cão Orelha, que ampliou penalidades administrativas relacionadas a maus-tratos contra animais, prevendo multas que podem chegar a R$ 1 milhão em situações agravadas.

Enquanto a Justiça analisa o pedido de arquivamento, a investigação conduzida pela Polícia Civil permanece formalmente sem uma conclusão judicial definitiva. Isso significa que o caso ainda não está encerrado oficialmente até que a decisão seja homologada pela Vara da Infância e Juventude da Capital.

As conclusões do Ministério Público foram construídas após meses de diligências complementares, revisão de quase dois mil arquivos digitais, análise de imagens de câmeras de segurança, extração de dados de celulares apreendidos, novos depoimentos e exames periciais, incluindo a exumação do corpo do animal.

Entre os principais fatores considerados pelo órgão estão a ausência de provas materiais diretas da agressão, a inexistência de imagens mostrando o ataque ao cão, inconsistências na cronologia apresentada inicialmente pela investigação policial e laudos periciais que não confirmaram de forma conclusiva a hipótese de espancamento.

O entendimento do Ministério Público também levou em consideração a possibilidade de que Orelha apresentasse uma condição clínica grave e preexistente, hipótese reforçada pelas novas perícias realizadas durante a reavaliação do caso.

A apuração do portal Agora Floripa acompanha que, mesmo diante do pedido de arquivamento, o caso ainda continua despertando atenção na Grande Florianópolis por tudo o que representou ao longo dos últimos meses: a mobilização popular, a repercussão internacional, os debates sobre proteção animal e os questionamentos sobre a condução das investigações.

Agora, todas as atenções se voltam para a decisão da juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, que deverá analisar o relatório final do Ministério Público e definir os próximos passos jurídicos do caso que marcou a Praia Brava e se tornou um dos episódios mais comentados de Santa Catarina em 2026.



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