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Em Florianópolis, UFSC detalha orçamento de 2026 e mostra onde está o dinheiro

Foto do escritor: Jornal comunidade SC
Jornal comunidade SC
30 de set.
4 min de leitura

Atualizado: 3 de out.


A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) apresentou ao Conselho Universitário, em Florianópolis, um panorama do orçamento previsto para 2026 e mostrou uma realidade que nem sempre fica evidente quando se olha apenas para o valor total destinado à instituição.

São cerca de R$ 2,3 bilhões previstos no orçamento da UFSC para 2026. Mas, desse montante, a administração da universidade tem liberdade efetiva para decidir a aplicação de aproximadamente R$ 175 milhões.

A explicação está na forma como o orçamento das universidades federais é dividido.

O tema foi apresentado pelo pró-reitor de Planejamento e Orçamento da UFSC, Vladimir Fey, durante reunião do Conselho Universitário realizada na terça-feira (29). Pela relevância do assunto, conselheiros também propuseram que o orçamento passe a ser discutido periodicamente pelo colegiado.



Por que uma universidade com R$ 2,3 bilhões tem pouco dinheiro para decidir?

A maior parte do orçamento da UFSC é formada por despesas obrigatórias.

Nesse grupo estão salários de servidores ativos, encargos sociais, benefícios e aposentadorias.

Segundo a apresentação, a universidade não tem liberdade para simplesmente transferir esses recursos para outras áreas. O pagamento dos aposentados, por exemplo, também está incluído no orçamento administrado pela instituição.

É justamente por isso que o valor global do orçamento pode causar uma impressão diferente da realidade financeira enfrentada pela universidade no dia a dia.

Além das despesas obrigatórias, existem as chamadas despesas discricionárias, que são aquelas relacionadas ao funcionamento e a investimentos que podem ser administrados dentro dos limites orçamentários disponíveis.

Para 2026, elas somam aproximadamente R$ 233 milhões.


R$ 233 milhões para manter uma estrutura de 450 mil metros quadrados

Dentro das despesas discricionárias estão gastos com materiais de consumo, passagens, diárias, contratos de serviços, obras e equipamentos.

A UFSC possui aproximadamente 450 mil metros quadrados de área construída.

Para benfeitorias, obras e aquisição de equipamentos, porém, foram previstos cerca de R$ 3,5 milhões.

O valor foi apresentado como insuficiente diante da dimensão da estrutura física da universidade.

A realidade também envolve despesas básicas para manter a instituição funcionando, como vigilância, limpeza e conservação, energia elétrica, água e locação de imóveis.


Receitas próprias ajudam a manter serviços da universidade

Outro componente importante são as receitas próprias.

Para 2026, estão previstos aproximadamente R$ 54 milhões provenientes de diferentes fontes, entre elas aluguéis, passes do Restaurante Universitário (RU), inscrições no vestibular, taxas relacionadas a projetos de pesquisa e extensão e outras atividades.

Esse dinheiro, porém, também não fica totalmente livre para a administração escolher onde aplicar.

Parte da destinação é definida por resoluções aprovadas pelo próprio Conselho Universitário.

No caso dos aluguéis, por exemplo, a arrecadação é destinada à assistência estudantil, com exceção das locações do Centro de Eventos, cujo dinheiro é utilizado na reforma do próprio espaço.

As taxas cobradas em projetos de extensão são distribuídas entre departamentos, centros de ensino e pró-reitorias. Já os recursos relacionados aos projetos de pesquisa possuem percentuais vinculados a diferentes tipos de bolsas.

Em 2025, a UFSC arrecadou aproximadamente R$ 47 milhões em receitas próprias.

Entre as fontes estavam projetos de pesquisa e extensão, aluguéis, atividades na área da saúde, inscrições no vestibular, exames de proficiência, passes do Restaurante Universitário, concursos, receitas agropecuárias, cursos extracurriculares e as Fortalezas.


Assistência estudantil consumiu R$ 50 milhões

Um dos pontos de maior impacto para a comunidade universitária está justamente na assistência estudantil.

Em 2025, foram destinados cerca de R$ 50 milhões para essa área.

O valor foi utilizado em bolsas, auxílio-creche, moradia, outros auxílios, insumos e equipe terceirizada do Restaurante Universitário.

Entre as despesas discricionárias daquele ano, também apareceram com destaque os gastos com vigilância, limpeza e conservação, além de bolsas, estágios e monitorias.

Somados, bolsas, estágios e monitorias representaram aproximadamente R$ 16 milhões.

A apresentação também apontou a existência de demandas relacionadas à moradia estudantil e à estrutura de assistência que permanecem dependentes da disponibilidade de recursos.


Orçamento cresceu, mas despesas também pressionam

Na comparação dos últimos cinco anos, o orçamento global da UFSC cresceu aproximadamente 32%.

A parcela discricionária teve aumento ainda maior, de cerca de 43%.

Mesmo com essa evolução, a universidade enfrenta dificuldades para atender todas as necessidades de funcionamento, manutenção e investimentos.

Outro fator importante é que a UFSC não recebe todo o orçamento previsto logo no início do ano.

A liberação dos recursos ocorre de maneira periódica, seguindo decretos do governo federal que estabelecem o cronograma de desembolso e os limites para empenho.

Em 2026, já haviam sido publicados três decretos sobre o tema, em fevereiro, março e maio.

Na prática, o fluxo de liberação também está relacionado à arrecadação federal. Quando a receita fica abaixo do previsto, o limite de recursos liberados pode ser menor.


UFSC tem R$ 20 milhões de despesas de anos anteriores

Um dos pontos mais sensíveis apresentados durante a reunião foi o crescimento das despesas de exercícios anteriores.

São gastos realizados sem empenho prévio por falta de orçamento disponível e que acabam sendo pagos com recursos do exercício seguinte.

Em 2026, cerca de R$ 20 milhões do orçamento discricionário da UFSC foram utilizados para quitar despesas referentes a 2025.

Segundo os dados apresentados, esse valor vem crescendo aproximadamente R$ 6 milhões por ano desde 2023.

Para enfrentar o passivo, a gestão da universidade solicitou ao Ministério da Educação uma suplementação de R$ 5 milhões e estabeleceu como meta solucionar essa situação em quatro anos.

A prioridade definida para os pagamentos é a manutenção das bolsas estudantis.


UFSC defende mais recursos discricionários

Durante a apresentação, também foi informado que a administração da UFSC defendeu, em reunião com a Secretaria de Educação Superior (Sesu), em Brasília, o aumento dos recursos discricionários destinados às universidades federais.

Atualmente, esse montante está na casa dos R$ 7 bilhões para o conjunto das instituições.

A proposta apresentada foi de duplicação desses recursos.

As informações foram levadas ao Conselho Universitário justamente para ampliar a compreensão sobre como o orçamento da UFSC é formado, quais valores podem ser administrados diretamente e quais possuem destinação obrigatória ou previamente definida.

Para quem acompanha a rotina da universidade em Florianópolis, os números ajudam a entender por que o valor total do orçamento não representa, necessariamente, o dinheiro que a instituição tem liberdade para escolher onde gastar.

Entre salários, aposentadorias, assistência estudantil, manutenção, contratos, bolsas, obras, equipamentos e despesas acumuladas de exercícios anteriores, uma parcela significativa dos recursos já chega à universidade com finalidade determinada ou vinculada a compromissos específicos.

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