Em Florianópolis, desembargadora assume comando inédito em uma das Câmaras Criminais do TJSC


Uma sessão realizada na manhã desta terça-feira (3) entrou para a história do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Pela primeira vez desde a instalação da 3ª Câmara Criminal, o órgão julgador foi presidido por uma mulher. A responsável por esse momento foi a desembargadora Andrea Cristina Rodrigues Studer, que assumiu a condução dos trabalhos em Florianópolis.
A mudança na presidência ocorreu dentro do sistema de rodízio adotado pela Câmara, que permite que cada integrante tenha a oportunidade de comandar as sessões durante um período de três meses. Com isso, Andrea Studer passou a ocupar uma posição que, até então, nunca havia sido exercida por uma magistrada naquele colegiado.
A sessão contou com a participação dos desembargadores Geraldo Correa Bastos e Luiz César Schweitzer, além do procurador Marcílio Novaes, representante do Ministério Público.
Durante os trabalhos, a primeira presidência feminina da 3ª Câmara Criminal foi destacada pelos integrantes do órgão. O desembargador Júlio César Machado Ferreira de Melo manifestou satisfação em participar da sessão e ressaltou a importância do momento para a história do Judiciário catarinense.
Em sua manifestação, destacou que inteligência, talento, competência e capacidade de liderança não estão relacionados ao gênero, mas ao conhecimento, à experiência e ao mérito de cada profissional. Também mencionou as iniciativas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) voltadas à ampliação da participação feminina e à busca por maior equilíbrio entre homens e mulheres nos espaços de direção do Poder Judiciário.
A presença de Andrea Studer na presidência também foi lembrada durante uma sustentação oral realizada na sessão. O desembargador aposentado e ex-presidente do TJSC Rodrigo Collaço, atualmente advogado, aproveitou sua manifestação na tribuna para homenagear a magistrada, destacando sua atuação e inteligência.
Três das seis Câmaras Criminais do TJSC são presididas por mulheres
A chegada de Andrea Studer à presidência da 3ª Câmara Criminal ocorre em um cenário de ampliação da presença feminina nos cargos de comando do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Atualmente, o TJSC possui seis Câmaras Criminais, e metade delas está sob a presidência de desembargadoras.
Além de Andrea Cristina Rodrigues Studer, a desembargadora Hildemar Meneguzzi Carvalho preside a 2ª Câmara Criminal, enquanto Cinthia Beatriz da Silva Schaefer está à frente da 5ª Câmara Criminal.
Outra magistrada que teve participação importante nessa trajetória foi a desembargadora Marli Mosimann Vargas, uma das primeiras mulheres a presidir Câmaras Criminais no Judiciário catarinense.
Sua atuação ficou marcada por um dos julgamentos mais expressivos da história do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Julgamento histórico envolveu 78 integrantes de organização criminosa
Em dezembro de 2015, quando presidia a 1ª Câmara Criminal do TJSC, Marli Mosimann Vargas comandou uma sessão que entrou para a história do Judiciário estadual.
Na ocasião, os integrantes do colegiado analisaram recursos apresentados por 78 integrantes do Primeiro Grupo Catarinense (PGC), organização criminosa apontada como responsável por uma série de atentados em Santa Catarina.
O julgamento reuniu, de uma só vez, recursos de dezenas de condenados envolvidos nos processos relacionados à onda de violência registrada no estado. Ao final, as penas foram mantidas integralmente e, somadas, ultrapassaram mil anos de prisão.
O episódio permanece entre os julgamentos de maior dimensão já realizados pelo Judiciário catarinense.
Com a posse de Andrea Studer na presidência da 3ª Câmara Criminal, o TJSC registra mais um capítulo na trajetória de participação feminina nos espaços de liderança da Justiça em Santa Catarina. A magistrada passa a integrar a história do órgão como a primeira mulher a conduzir suas sessões desde a instalação da Câmara.





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