Florianópolis abriga sistema inédito no Brasil que monitora tempestades e envia alertas em tempo real
- Jornal comunidade SC

- 27 de mai.
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Florianópolis se tornou peça-chave no monitoramento climático de Santa Catarina com uma estrutura tecnológica considerada única entre as defesas civis estaduais do país. Instalada na sede do Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cigerd), na Capital catarinense, uma antena especial permite à Defesa Civil receber imagens de satélite em tempo real diretamente do espaço, sem depender de internet ou servidores intermediários.
A tecnologia coloca Santa Catarina em posição de destaque no monitoramento meteorológico nacional e fortalece a emissão de alertas para temporais, chuvas intensas, vendavais e outros eventos climáticos que frequentemente atingem cidades da Grande Florianópolis e diferentes regiões do estado.
A antena foi instalada em Florianópolis em maio de 2018 e foi a primeira do tipo no Brasil. Desde 2025, o sistema passou a operar conectado ao GOES-19, o satélite meteorológico mais moderno da série utilizada nas Américas.

Na prática, os meteorologistas da Defesa Civil catarinense conseguem acompanhar em tempo real a formação de nuvens, frentes frias, tempestades severas e até fenômenos atmosféricos complexos antes mesmo de eles serem identificados pelos radares meteorológicos.
O equipamento recebe sinais diretamente do satélite, que orbita a cerca de 35,8 mil quilômetros de altitude. As imagens chegam instantaneamente ao Cigerd, em Florianópolis, permitindo análises rápidas e detalhadas das condições climáticas em Santa Catarina.
O diferencial da tecnologia está na capacidade de captar 16 diferentes faixas de luz, incluindo espectros visíveis e infravermelhos. Isso permite identificar temperatura das nuvens, concentração de umidade na atmosfera, movimentação de massas de ar e até diferenciar neve de nuvens nas áreas mais frias do Planalto Catarinense.
As imagens também ajudam a identificar os chamados “rios atmosféricos”, corredores de umidade responsáveis por episódios de chuva intensa em períodos de El Niño, fenômeno que costuma provocar grandes volumes de precipitação em Santa Catarina.
Outro ponto importante é o monitoramento da atividade elétrica atmosférica. O sistema consegue detectar descargas elétricas em tempo real, ampliando a capacidade de antecipação dos alertas emitidos à população.

Toda essa estrutura tecnológica instalada em Florianópolis trabalha integrada com a rede estadual de monitoramento da Defesa Civil. Atualmente, Santa Catarina conta com quatro radares meteorológicos posicionados estrategicamente em Lontras, Chapecó, Araranguá e Joinville.
Além disso, o estado possui 172 estações hidrológicas e meteorológicas espalhadas por todas as regiões catarinenses. Esses equipamentos acompanham em tempo real o nível dos rios, volume de chuva, temperatura, umidade do ar, velocidade do vento e pressão atmosférica.
Os dados são atualizados a cada 15 segundos e enviados para o sistema integrado da Defesa Civil, fortalecendo a precisão das previsões meteorológicas e dos alertas enviados para os celulares da população.
O avanço tecnológico também impactou diretamente o sistema de alertas em Santa Catarina. Atualmente, os avisos podem ser recebidos de duas formas.
A primeira é pelo sistema de SMS. Para se cadastrar, basta enviar gratuitamente o CEP da localidade para o número 40199. Depois disso, os alertas passam a chegar automaticamente ao celular sempre que houver risco meteorológico na região cadastrada.
A segunda modalidade utiliza o sistema Defesa Civil Alerta, baseado em tecnologia Cell Broadcast. Nesse formato, não é necessário cadastro, aplicativo ou internet. As mensagens são enviadas automaticamente para celulares conectados às redes 4G e 5G localizadas em áreas de risco iminente.
Com a estrutura instalada em Florianópolis e o cruzamento de dados de satélites, radares e estações meteorológicas, a Defesa Civil de Santa Catarina ampliou a capacidade de antecipação dos eventos climáticos, permitindo respostas mais rápidas diante de situações de risco em diferentes regiões do estado.





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