Florianópolis: UFSC desenvolve teste rápido, barato e portátil para detectar algas nocivas na água
- Jornal comunidade SC

- 19 de jun.
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Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), desenvolveram uma nova tecnologia capaz de identificar rapidamente a presença de algas nocivas em ambientes costeiros de Florianópolis.
O método foi criado para detectar a espécie Prorocentrum cordatum, considerada um importante indicador ambiental, conhecido como “espécie sentinela”. Quando essa alga aparece em grandes concentrações, pode indicar risco de marés vermelhas e processos de eutrofização, que reduzem o oxigênio da água e afetam a vida marinha.
Teste rápido, barato e com resultado em cerca de uma hora
A principal inovação está na simplicidade e no custo do método. O teste pode ser realizado com estrutura reduzida, é portátil e tem custo estimado entre R$ 5 e R$ 6 por amostra, valor muito inferior aos métodos convencionais de monitoramento.
Outro diferencial é o tempo de resposta: o resultado pode ser obtido em aproximadamente uma hora, permitindo ações mais rápidas de monitoramento ambiental.
O teste utiliza uma técnica molecular chamada LAMP (Amplificação Isotérmica Mediada por Loop), que identifica a presença da alga no ambiente a partir do DNA, mesmo antes da liberação de toxinas.

Leitura simples e uso em campo
Um dos pontos mais inovadores do método é a leitura visual por mudança de cor. Não é necessário equipamento laboratorial complexo para interpretar o resultado, o que facilita o uso em campo.
O processo de coleta também é simplificado. Pequenas amostras de água são coletadas e filtradas com materiais simples, e a análise pode ser feita com equipamentos portáteis, inclusive alimentados por bateria.
Além disso, todo o material utilizado pode ser higienizado e reutilizado, reduzindo custos e impacto ambiental.
Monitoramento da Lagoa da Conceição e avanço na prevenção
A pesquisa foi aplicada no contexto do monitoramento da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, uma das áreas mais sensíveis da região costeira. O estudo também foi publicado em revista científica internacional após testes realizados em diferentes pontos da lagoa.
O método foi desenvolvido dentro de um edital voltado ao monitoramento ambiental, com participação de instituições de pesquisa e apoio de projetos voltados à análise da qualidade da água na região.
Segundo os pesquisadores, a tecnologia pode antecipar sinais de alerta antes da ocorrência de florações de algas, permitindo ações preventivas por órgãos ambientais.
Relação com poluição e impactos ambientais
A presença excessiva de algas nocivas na Lagoa da Conceição está associada, em muitos casos, à poluição por esgoto e ao excesso de nutrientes na água. Esse desequilíbrio pode provocar mortandade de peixes, alteração da coloração da água e formação de espuma.
A tecnologia desenvolvida busca justamente facilitar o monitoramento contínuo desses indicadores ambientais, permitindo respostas mais rápidas em situações de risco.
Potencial para políticas públicas
Os pesquisadores destacam que o próximo passo é a aplicação do método em larga escala como ferramenta de política pública ambiental. A ideia é permitir monitoramentos frequentes e descentralizados, com apoio de órgãos ambientais e equipes de campo.
A proposta é que o teste contribua não apenas para diagnóstico, mas também para ações de prevenção, recuperação ambiental e planejamento de contingência em áreas costeiras.
A tecnologia representa um avanço no monitoramento de ecossistemas marinhos e reforça o papel da ciência aplicada no acompanhamento da qualidade da água em Florianópolis e região.






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