Florianópolis busca soluções para acolhimento de migrantes
- Jornal comunidade SC

- há 17 horas
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Uma reunião ampliada realizada nesta quarta-feira (11) trouxe à tona a discussão sobre o direito à migração e os desafios enfrentados por migrantes em Florianópolis. O encontro, promovido no âmbito da Comissão de Trabalho, Legislação Social e Serviço Público, contou com representantes do Observatório das Migrações da UDESC, da Secretaria Municipal de Assistência Social e de movimentos de migrantes atuantes na cidade.
Santa Catarina tem se destacado como um dos principais destinos de migrantes interestaduais no país e, nos últimos anos, também passou a receber um número crescente de imigrantes vindos de outros países. Em Florianópolis, quase metade da população atual é oriunda de outros estados, refletindo um cenário de crescimento populacional e habitacional.
De acordo com o Censo Demográfico de 2022, entre 2017 e 2022, o estado recebeu aproximadamente 503,5 mil novos moradores, enquanto 149,2 mil pessoas saíram, resultando em um saldo migratório positivo de cerca de 354,3 mil habitantes.
O professor Francisco Canella, responsável pelo Observatório das Migrações da UDESC, ressaltou que a migração deve ser vista como um fenômeno social complexo, envolvendo dimensões econômicas, políticas e culturais. Segundo ele, o aumento do fluxo migratório exige planejamento e preparação do poder público, garantindo direitos básicos como moradia, educação, saúde e trabalho.

Apesar de existirem leis que asseguram direitos aos migrantes, muitas vezes elas não são plenamente aplicadas, e faltam estruturas específicas de atendimento e capacitação das instituições públicas.
Representantes da comunidade migrante também participaram do debate. Enair Cardoso Costa, angolana que vive em Florianópolis há sete anos e representa a Associação dos Angolanos, destacou que os imigrantes contribuem significativamente para o desenvolvimento local, mas enfrentam desafios de adaptação, especialmente quando chegam sem domínio do português. Ela sugeriu a criação de mediadores culturais para facilitar a integração e o acesso a serviços públicos.
Do lado da gestão municipal, Sandra Mara dos Santos, da Secretaria Municipal de Assistência Social, explicou que a cidade busca garantir inclusão e atendimento por meio da rede socioassistencial, com encaminhamentos para serviços como CRAS, CREAS e Centro Pop. Pessoas em situação de vulnerabilidade também recebem acolhimento e acompanhamento por meio de serviços de abordagem social.
Como desdobramento da reunião, o objetivo é garantir a efetiva execução da Lei nº 10.735/2020, que institui a Política Municipal para a População Migrante, estabelecendo diretrizes e ações prioritárias para proteger e integrar os migrantes em Florianópolis.
O portal Agora Floripa segue apurando o andamento das políticas e iniciativas voltadas à população migrante, acompanhando de perto as medidas de inclusão e os desafios enfrentados pela cidade diante do aumento do fluxo de pessoas que chegam à capital.






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