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Florianópolis ganha trilha de 95 km que atravessa a Ilha de Norte a Sul

Foto do escritor: Jornal comunidade SC
Jornal comunidade SC
há 2 horas
5 min de leitura

Imagine percorrer Florianópolis a pé, passando por praias, morros, áreas de Mata Atlântica, comunidades tradicionais e caminhos históricos da Ilha de Santa Catarina. Esse trajeto agora tem um nome oficial: Caminho da Ilha de Santa Catarina (CAISCA), uma trilha de longo curso com 95,2 quilômetros de extensão, que liga a Caieira da Barra do Sul, no extremo sul da Ilha, à Praia de Canasvieiras, no Norte.

A criação do percurso foi oficializada pela Prefeitura de Florianópolis por meio do Decreto nº 29.806, publicado em 20 de outubro. A proposta reúne trilhas e caminhos que já existem em diferentes regiões da Capital em um único trajeto, que também pode ser percorrido no sentido inverso.

O caminho passa por dez unidades de conservação e combina paisagens litorâneas, trechos de mata, subidas em áreas de morro e locais ligados à história e à cultura da Ilha. O percurso vai de áreas próximas ao nível do mar a pontos com até 232 metros de altitude.



Caminho passa por dez unidades de conservação

Um dos principais destaques do CAISCA é a conexão entre áreas protegidas de Florianópolis. Ao longo dos 95,2 quilômetros, a trilha atravessa dez unidades de conservação estaduais, municipais e particulares.

Entre elas estão o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a Área de Proteção Ambiental do Entorno Costeiro, o Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri e o Parque Natural Municipal da Lagoinha do Leste.

O trajeto também inclui o Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, o Monumento Natural Municipal da Galheta, o Parque Estadual do Rio Vermelho, a Reserva Particular do Patrimônio Natural Morro das Aranhas, o Parque Natural Municipal Lagoa do Jacaré das Dunas do Santinho e o Refúgio de Vida Silvestre Municipal Meiembipe.

Na prática, a proposta conecta diferentes ambientes naturais da Ilha, incluindo florestas, restingas e manguezais. Segundo os dados apresentados pela Prefeitura, aproximadamente 41% da área terrestre de Florianópolis está protegida por unidades de conservação.

O caminho incorpora trechos já conhecidos por moradores, trilheiros e pescadores, como o Caminho dos Naufragados, a trilha da Boa Vista e a Trilha do Morro do Rapa.


Trilha reúne praias, fauna e história da Ilha

A diversidade de paisagens é uma das características do Caminho da Ilha de Santa Catarina. Ao longo do percurso, os caminhantes poderão passar por diferentes ambientes naturais e observar a fauna presente nas áreas protegidas.

Florianópolis registra cerca de 400 espécies de aves. Entre julho e novembro, período que coincide com a passagem das baleias-francas-austrais pelo litoral catarinense, também é possível avistar esses animais em pontos da costa ao longo do trajeto.

Além da natureza, o caminho atravessa áreas de importância histórica e arqueológica. A presença humana na Ilha de Santa Catarina é documentada há pelo menos cinco mil anos, com vestígios como sambaquis, inscrições rupestres e oficinas líticas.

A conexão entre esses locais permite reunir, em um mesmo percurso, paisagens naturais e registros de diferentes períodos da ocupação humana na região.


Comunidades tradicionais podem receber caminhantes

O CAISCA também prevê oportunidades para as comunidades localizadas no entorno da trilha. Como a travessia completa exige pernoite, localidades tradicionais ao longo do percurso poderão atender os visitantes com serviços de hospedagem, alimentação e condução de caminhantes.

Entre as regiões que podem ser beneficiadas estão Caieira da Barra do Sul, Pântano do Sul, Armação, Campeche, Barra da Lagoa e Ingleses.

A proposta está relacionada à Política Municipal de Turismo de Base Comunitária, instituída pela Lei nº 11.457/2025, que contempla iniciativas ligadas à participação das comunidades no desenvolvimento do turismo.

A expectativa é que a circulação de caminhantes possa ampliar a procura por serviços locais ao longo do percurso, especialmente em pontos onde os visitantes precisem descansar, se alimentar ou passar a noite durante a travessia.


Como a trilha de 95 km foi planejada

A criação do Caminho da Ilha de Santa Catarina é resultado de um trabalho que começou a ser discutido entre 2016 e 2018 e foi retomado nos anos seguintes.

A proposta foi coordenada pelo Departamento de Unidades de Conservação da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram), dentro do Programa Roteiros do Ambiente — Trilhas e Caminhos na Ilha de Santa Catarina, desenvolvido desde 2015 para mapear, manejar e sinalizar trilhas do município.

O planejamento envolveu instituições públicas, organizações ambientais e entidades ligadas à pesquisa e à conservação. Entre os participantes estiveram o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), além de organizações da sociedade civil.

Em 2022, a Floram passou a integrar a comissão técnica estadual responsável por acompanhar a regulamentação da sinalização da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso e Conectividade em Santa Catarina.

Os trabalhos de consolidação do CAISCA foram retomados em 2024. No ano seguinte, as vistorias de campo tiveram acompanhamento do IMA, responsável pela coordenação estadual da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso.

O processo incluiu saídas de campo para conferir e georreferenciar os trechos do percurso, além da participação dos conselhos gestores das unidades de conservação envolvidas.

Com o decreto municipal, o caminho passa a contar com reconhecimento formal, permitindo organizar sua identidade, seu manejo e as medidas de proteção aplicáveis ao trajeto.


O que é proibido ao longo do percurso?

A criação oficial da trilha também estabelece regras para proteger o ambiente natural e os equipamentos utilizados pelos visitantes.

Entre as proibições estão danificar placas e estruturas de sinalização, coletar ou capturar espécies nativas da fauna e da flora, alimentar animais silvestres e descartar resíduos de forma inadequada.

Também não é permitido instalar estruturas ou alterar o traçado das trilhas e dos caminhos sem autorização. O acesso a áreas restritas deve respeitar as regras de cada local.

Além dessas determinações, os visitantes precisam observar as normas ambientais aplicáveis e as disposições dos planos de manejo das unidades de conservação atravessadas pelo percurso.


Onde começa e termina o Caminho da Ilha de Santa Catarina?

O CAISCA tem início na Caieira da Barra do Sul, no Sul da Ilha, e termina na Praia de Canasvieiras, no Norte. São 95,2 quilômetros de extensão, com possibilidade de percorrer o caminho nos dois sentidos.

A trilha conecta diferentes regiões de Florianópolis e reúne praias, morros, áreas de preservação, caminhos históricos e comunidades tradicionais em um único traçado.

A instituição do percurso foi realizada pela Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e da Floram.

Para quem pretende percorrer o caminho, é importante considerar a extensão total, a necessidade de pernoite e as regras de acesso das unidades de conservação. Como se trata de uma travessia longa, o planejamento prévio é essencial para organizar os deslocamentos e os pontos de parada.

Com a oficialização do Caminho da Ilha de Santa Catarina, Florianópolis passa a contar com uma trilha de longo curso que conecta o extremo Sul ao Norte da Ilha, integrando áreas naturais protegidas, paisagens costeiras, patrimônio histórico e comunidades que fazem parte da vida e da história da Capital catarinense.

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