FLORIANÓPOLIS: inflação sobe, emprego bate recorde e juros apertam o bolso


Quem acompanha os preços no supermercado, procura trabalho, paga financiamento ou tenta colocar as contas em dia encontrou um retrato movimentado da economia brasileira nos dados divulgados nesta terça-feira (29).
Os números mostram, ao mesmo tempo, queda do desemprego para um dos menores níveis da série histórica, recorde de pessoas ocupadas e de trabalhadores com carteira assinada, além de uma aceleração do IGP-M e de juros mais altos para as famílias.
Na prática, os indicadores divulgados ao longo do dia mostram diferentes lados da economia: há mais gente trabalhando e recebendo renda, enquanto o custo do crédito continua elevado e a inadimplência das famílias avançou.
IGP-M acelera em setembro
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou inflação de 1,57% em setembro, depois de apresentar deflação de 0,22% em agosto.
Com o resultado, o indicador acumula alta de 3,45% em 2026 e de 3,34% nos últimos 12 meses.
O principal responsável pela aceleração foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que acompanha os preços no atacado. O índice saiu de uma queda de 0,34% em agosto para uma alta de 2,08% em setembro.
Também houve mudança no comportamento dos preços ao consumidor. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) passou de uma deflação de 0,41% em agosto para uma alta de 0,50% em setembro.
Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,25%, abaixo dos 0,41% observados no mês anterior.
Desemprego cai para 5,3%
Enquanto os preços medidos pelo IGP-M aceleraram, o mercado de trabalho apresentou novos números recordes.
A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE.
Foi a menor taxa para um trimestre encerrado em agosto desde o início da série histórica, em 2012.
O resultado também representa uma redução em relação ao trimestre encerrado em maio, quando a taxa estava em 5,6%, e ao mesmo período de 2025, também de 5,6%.
Outro dado chama atenção: o Brasil chegou a 103,5 milhões de pessoas ocupadas, o maior número já registrado pela pesquisa.
Na comparação com o trimestre anterior, foram acrescentados cerca de 774 mil trabalhadores ao mercado de trabalho.
Indústria e construção puxaram novas vagas
Entre os setores que contribuíram para o aumento da ocupação estão a indústria geral e a construção.
Na indústria, o número de ocupados cresceu 2%, representando aproximadamente 265 mil pessoas a mais.
Na construção, o avanço foi de 4,1%, com cerca de 306 mil trabalhadores adicionais.
O número de empregados do setor privado com carteira assinada também atingiu um recorde: 39,5 milhões de pessoas.
Ao mesmo tempo, a população desocupada caiu para 5,8 milhões, uma redução de 281 mil pessoas em relação ao trimestre encerrado em maio.
Renda do trabalhador chega a R$ 3.777
O rendimento médio mensal do trabalhador ficou em R$ 3.777 no trimestre até agosto.
O valor representa aumento em relação aos R$ 3.752 registrados no trimestre anterior. O recorde da série permanece em R$ 3.804, alcançado no primeiro trimestre de 2026.
A massa salarial, que corresponde à soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores, também atingiu o maior valor da série: R$ 385,6 bilhões.
O montante cresceu 1,4% em relação ao trimestre anterior, um acréscimo de R$ 5,2 bilhões. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a alta foi de 4,8%, ou R$ 17,5 bilhões.
Outro recorde apareceu no número de trabalhadores que contribuem para a Previdência: 68,5 milhões de pessoas.
Informalidade ainda reúne 38,8 milhões
Apesar dos recordes de ocupação e carteira assinada, o mercado de trabalho também apresenta uma parcela expressiva de trabalhadores informais.
A taxa de informalidade ficou em 37,5%, equivalente a aproximadamente 38,8 milhões de pessoas.
O percentual estava em 37,3% no trimestre anterior.
O IBGE considera informais trabalhadores sem carteira assinada, além de autônomos e empregadores sem CNPJ. Essa parcela não conta, nessas condições, com garantias trabalhistas e previdenciárias vinculadas ao emprego formal.
Juros para as famílias chegam a 61,7% ao ano
Se o mercado de trabalho apresentou números positivos de ocupação, os dados do crédito mostram um cenário de maior pressão para quem precisa recorrer a empréstimos.
A taxa média de juros das operações de crédito livre para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano em agosto.
O percentual representa aumento de 1,4 ponto percentual em relação a julho e de 2,9 pontos percentuais na comparação com agosto de 2025.
Entre as modalidades que influenciaram esse movimento estão o cartão de crédito rotativo e o cartão parcelado.
Mesmo com os juros elevados, o crédito destinado às famílias continuou crescendo. O saldo das operações de crédito livre para pessoas físicas alcançou R$ 2,6 trilhões, alta de 0,8% no mês e de 10,5% em 12 meses.
O crescimento foi impulsionado principalmente por financiamento de veículos, cartão de crédito rotativo e crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
Inadimplência das famílias chega a 6%
Os dados do Banco Central também mostram avanço da inadimplência.
A taxa de inadimplência das famílias chegou a 6% em agosto, aumento de 0,2 ponto percentual em relação a julho e de 1,1 ponto percentual na comparação com agosto do ano passado.
Considerando todo o Sistema Financeiro Nacional, a inadimplência ficou em 5%.
Entre as empresas, o índice permaneceu em 3,3%.
O endividamento das famílias, por sua vez, alcançou 49,9% da renda anual em julho, alta de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,1 ponto percentual em 12 meses.
Já o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas ficou em 28,7%.
Crédito total chega a R$ 7,4 trilhões
O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 7,4 trilhões em agosto, crescimento de 0,5% no mês.
Desse total, R$ 4,7 trilhões correspondiam às operações com famílias, enquanto R$ 2,7 trilhões estavam relacionados às empresas.
Em 12 meses, o crédito total cresceu 9,2%.
Quando são considerados empréstimos bancários, títulos de dívida e financiamentos externos, o chamado crédito ampliado ao setor não financeiro chegou a R$ 22 trilhões, equivalente a 164,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
O retrato da economia brasileira
Os números divulgados nesta terça-feira mostram um cenário com movimentos diferentes.
De um lado, o Brasil registrou 5,3% de desemprego, 103,5 milhões de pessoas ocupadas, 39,5 milhões de trabalhadores do setor privado com carteira assinada e massa salarial recorde de R$ 385,6 bilhões.
De outro, o IGP-M acelerou em setembro, enquanto os juros médios cobrados das pessoas físicas chegaram a 61,7% ao ano e a inadimplência das famílias alcançou 6%.
Para quem vive na Grande Florianópolis e acompanha de perto o preço dos alimentos, o custo de um financiamento, as oportunidades de trabalho ou as próprias contas do mês, esses indicadores ajudam a dimensionar o momento da economia brasileira.
Os dados são referentes a diferentes períodos — setembro no caso do IGP-M, agosto para mercado de trabalho e crédito e julho para alguns indicadores de endividamento — e, juntos, apresentam um panorama dos principais movimentos recentes da economia do país.





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