Operação em Florianópolis investiga perseguição virtual e exposição de adolescentes nas redes sociais


A divulgação de informações pessoais, a exposição de adolescentes nas redes sociais e a publicação de conteúdos que poderiam estimular ataques contra vítimas estão no centro de uma investigação que chegou a Florianópolis nesta quarta-feira (4). A cidade foi um dos locais onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão durante a Operação Rage Bait, deflagrada pelo Ministério Público de Santa Catarina.
A ação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), por meio do CyberGAECO, em apoio à 19ª Promotoria de Justiça da Capital. Ao todo, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, sendo um em Florianópolis e outro em Belo Horizonte, Minas Gerais.
A investigação apura possíveis práticas de perseguição contra adolescentes em plataformas digitais. Conforme os elementos reunidos durante a apuração, determinados perfis em redes sociais teriam divulgado informações pessoais das vítimas de maneira recorrente, além de publicar conteúdos que poderiam incentivar a prática de crimes contra elas.
Os investigadores também buscam esclarecer como essas publicações eram produzidas, quem participava da divulgação e de que maneira os conteúdos alcançavam um público maior nas plataformas.
Investigação também apura uso de inteligência artificial
Um dos pontos identificados durante a apuração envolve a possível utilização de ferramentas de edição digital e recursos de inteligência artificial na elaboração de parte dos materiais divulgados.
A investigação procura identificar a origem das informações pessoais compartilhadas, os meios utilizados para obtê-las e a eventual participação de outras pessoas na produção e disseminação das publicações.
Também estão sob análise possíveis condutas de divulgação indevida de dados pessoais, incitação à prática de crimes e outras ações direcionadas às vítimas por meio de ambientes virtuais.
Os materiais recolhidos durante as buscas em Florianópolis e Belo Horizonte serão encaminhados à Polícia Científica, responsável pelos exames periciais que poderão contribuir para esclarecer as circunstâncias investigadas.
O que significa Rage Bait?
O nome escolhido para a operação faz referência a uma estratégia utilizada nas redes sociais para provocar indignação e reações emocionais intensas nos usuários.
A expressão Rage Bait pode ser traduzida como conteúdo destinado a provocar raiva. A prática consiste na produção e divulgação deliberada de publicações capazes de gerar revolta, estimular comentários e aumentar o engajamento, ampliando a circulação do material.
No contexto da investigação, esse conceito está relacionado à suspeita de que conteúdos direcionados às vítimas teriam sido produzidos e disseminados para ampliar sua exposição e potencializar os efeitos dos ataques virtuais.
Investigação é conduzida pelo CyberGAECO
A operação contou com a participação do CyberGAECO, força-tarefa especializada do Ministério Público de Santa Catarina voltada à identificação, prevenção e repressão de crimes praticados em ambientes digitais.
O trabalho teve apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Cibernético (GAECIBER), do Ministério Público de Minas Gerais.
O procedimento está sob sigilo judicial. Por esse motivo, detalhes adicionais sobre as vítimas, os investigados e os materiais apreendidos não foram divulgados. Novas informações poderão ser apresentadas após a publicidade dos autos.
A investigação segue em andamento para esclarecer a participação dos envolvidos e a origem dos conteúdos utilizados nos ataques virtuais apurados em Florianópolis.





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