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Palhoça realiza mais de 5,3 mil exames com nova tecnologia contra o câncer do colo do útero

Foto do escritor: Jornal comunidade SC
Jornal comunidade SC
há 1 dia
3 min de leitura

Mulheres atendidas pela rede pública de saúde de Palhoça já contam com uma nova tecnologia para o rastreamento do câncer do colo do útero. O município está entre os pioneiros de Santa Catarina na implantação do teste molecular DNA-HPV, exame incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) para identificar tipos do papilomavírus humano associados ao desenvolvimento da doença.

Entre julho e outubro de 2026, foram realizadas 5.342 coletas na rede municipal. O volume coloca Palhoça em posição de destaque na fase piloto do projeto no estado e mostra a dimensão da implantação do novo método nos serviços de saúde da cidade.

Os números foram distribuídos ao longo dos quatro meses: julho registrou 1.727 coletas; agosto, 1.269; setembro, 854; e outubro, 1.492. A média ultrapassou 1.300 procedimentos mensais.

A iniciativa integra uma estratégia nacional do Ministério da Saúde, que anunciou, em 28 de outubro, a disponibilidade do teste em 26 unidades da Federação. A implantação está sendo feita gradualmente, com a organização das redes locais para oferecer o exame e garantir o acompanhamento das pacientes que precisarem de investigação complementar.

A principal diferença em relação ao preventivo tradicional, conhecido como Papanicolau, está no que cada método procura identificar. Enquanto o exame convencional busca alterações nas células do colo do útero, o teste molecular DNA-HPV detecta a presença de tipos do vírus associados ao risco de desenvolvimento do câncer, incluindo os tipos 16 e 18, considerados de alto risco.

Essa identificação pode ocorrer antes mesmo do aparecimento de lesões. Com o resultado, os profissionais de saúde conseguem avaliar a necessidade de acompanhamento, exames complementares e encaminhamentos, conforme os protocolos clínicos.

Outra mudança importante envolve o intervalo entre os exames. Quando o resultado é negativo e a paciente atende aos critérios estabelecidos para o rastreamento, o período até a próxima avaliação pode chegar a cinco anos. A definição depende das orientações de saúde e das condições individuais de cada mulher.

Em âmbito nacional, o Ministério da Saúde contabiliza 153 mil coletas desde o início da estratégia, considerando os anos de 2025 e 2026. Desse total, 93 mil amostras foram processadas em 2026, com a identificação de 9.904 resultados positivos para HPV de alto risco.

Em Palhoça, a implantação também envolve a preparação da rede para atender as mulheres que apresentarem resultados que exijam uma avaliação mais detalhada. A Secretaria Municipal de Saúde contratou médicos ginecologistas e ampliou a oferta de colposcopias, exame que permite observar o colo do útero com maior precisão e investigar possíveis alterações.

A estrutura busca garantir que a paciente tenha continuidade no atendimento depois da coleta, com acesso à avaliação especializada e aos encaminhamentos necessários dentro da rede municipal.

A ampliação do rastreamento ocorre em um cenário que exige atenção. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil poderá registrar aproximadamente 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano no período de 2026 a 2028.

A doença pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Por isso, o rastreamento periódico e a vacinação contra o HPV são medidas importantes para reduzir os riscos e identificar precocemente possíveis alterações.

Com mais de 5,3 mil coletas realizadas em quatro meses, Palhoça participa da implantação de uma nova tecnologia no SUS e amplia a estrutura de atendimento voltada à prevenção do câncer do colo do útero. O trabalho reúne o rastreamento molecular e a oferta de acompanhamento especializado para as mulheres atendidas na rede pública do município.


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