Pesquisa do IFSC em São José desenvolve inteligência artificial para reforçar o diagnóstico do câncer de mama
- Jornal comunidade SC

- 3 de ago.
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Uma pesquisa desenvolvida no Câmpus São José do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) está abrindo caminho para uma nova aplicação da inteligência artificial na área da saúde. O projeto trabalha no desenvolvimento de um sistema capaz de identificar nódulos em mamografias digitais, oferecendo uma segunda análise automatizada que poderá auxiliar médicos na detecção precoce do câncer de mama.
A iniciativa reúne especialistas das áreas de engenharia biomédica, telecomunicações e inteligência artificial e já apresenta resultados considerados bastante expressivos durante a fase inicial dos estudos. Nos testes realizados, o sistema atingiu cerca de 94% de acurácia média na identificação de alterações em mamografias, superando a meta inicial estabelecida pelos pesquisadores, que era de 90%.
Outro dado que chamou a atenção da equipe foi a sensibilidade do modelo, que alcançou aproximadamente 99,5%. Na prática, isso significa que o algoritmo conseguiu identificar corretamente praticamente todos os exames que apresentavam alterações, registrando apenas um falso negativo entre 205 mamografias com anormalidades analisadas.
O projeto utiliza técnicas de aprendizado profundo (deep learning) para interpretar as imagens. A tecnologia analisa tanto a mamografia completa quanto detalhes de textura em diferentes escalas, permitindo reconhecer padrões que muitas vezes são discretos e difíceis de identificar visualmente.

A proposta, no entanto, não é substituir o trabalho dos radiologistas ou mastologistas. O sistema está sendo desenvolvido como uma ferramenta de apoio ao diagnóstico, funcionando como uma segunda leitura do exame. Após analisar a imagem, a inteligência artificial destaca regiões consideradas suspeitas e gera uma classificação ou grau de risco, fornecendo informações adicionais para auxiliar o médico durante a elaboração do laudo.
Os primeiros experimentos utilizaram a base pública internacional Mini-MIAS, uma das referências para pesquisas em mamografia digital. Foram analisados 320 exames, sendo 115 considerados normais e 205 com algum tipo de alteração, todos submetidos a um protocolo de validação cruzada que aumenta a confiabilidade dos resultados ao explorar diferentes combinações de dados.
Agora, a pesquisa entra em uma nova etapa. O objetivo é validar o sistema utilizando bases públicas muito maiores, compostas por milhares de exames provenientes de diferentes serviços de saúde e acompanhados de laudos detalhados.
Outro avanço previsto é o desenvolvimento de uma interface gráfica capaz de indicar diretamente na mamografia as áreas suspeitas encontradas pelo algoritmo. Além disso, mastologistas e radiologistas participarão da avaliação clínica da ferramenta, comparando o desempenho da inteligência artificial com os laudos humanos e analisando indicadores como taxa de detecção, ocorrência de falsos positivos e o impacto da tecnologia na rotina dos profissionais.
Somente após essa fase será possível discutir a aplicação prática da solução em ambientes clínicos. A expectativa da equipe é transformar o protótipo em uma ferramenta de diagnóstico auxiliado por computador, com potencial para registro de software e futura transferência tecnológica para o setor de saúde.
A pesquisa, intitulada “Desenvolvimento de sistema inteligente para detecção primária de nódulos em mamografias utilizando técnicas de aprendizado profundo”, é coordenada pelos professores Ramon Mayor Martins e Elen Macedo Lobato. Também integram o projeto a engenheira Jéssica Gomes Carrico e as estudantes Beatriz Paz Faria e Jamilly da Silva Pinheiro, do curso de Engenharia de Telecomunicações.





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