Prefeitura de Florianópolis manifesta preocupação após encerramento da pesca da tainha por arrasto
- Jornal comunidade SC

- há 23 horas
- 3 min de leitura

A decisão do Governo Federal de encerrar a pesca da tainha na modalidade de arrasto de praia em Santa Catarina repercutiu diretamente em Florianópolis, cidade que tem na atividade uma de suas mais tradicionais manifestações culturais e econômicas.
Por meio da subsecretaria de Pesca, Maricultura e Desenvolvimento Agroalimentar, a Prefeitura de Florianópolis divulgou um comunicado demonstrando preocupação com o encerramento da captura da espécie na modalidade de arrasto de praia, justamente em um ano marcado por uma das maiores safras das últimas décadas no litoral catarinense.
A medida ocorre em função do sistema de cotas estabelecido para a safra de 2026. Pela regulamentação federal, a atividade deve ser interrompida quando atingir 90% do limite autorizado para a modalidade. Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, o volume capturado já ultrapassou 80% da cota prevista e avançou rapidamente até alcançar o patamar que determina o encerramento das operações.
Com a decisão, os pescadores que ainda estavam atuando no mar receberam prazo de até 24 horas para realizar o desembarque das embarcações e concluir a entrega do pescado já capturado.
Tradição que movimenta Florianópolis
Em Florianópolis, a pesca artesanal da tainha vai muito além da captura do peixe. A atividade faz parte da identidade cultural da cidade e mobiliza comunidades inteiras durante a temporada.
Nos ranchos espalhados pelas praias da Capital, famílias acompanham diariamente a passagem dos cardumes. A vigília na beira do mar, o trabalho coletivo na puxada das redes e a divisão da produção fazem parte de uma tradição transmitida entre gerações.
A atividade também possui forte impacto econômico. Estimativas apontam que cerca de 5 mil famílias dependem direta ou indiretamente da safra da tainha na região.
Praias tradicionais como Pântano do Sul, Campeche, Barra da Lagoa, Santinho, Ingleses, Lagoinha do Norte, Praia Brava, Moçambique e Naufragados estão entre os principais pontos da pesca artesanal no município.

Como funciona o sistema de cotas
A temporada de 2026 começou com regras definidas por uma portaria conjunta dos Ministérios da Pesca e do Meio Ambiente.
Para o arrasto de praia, modalidade ligada diretamente à pesca artesanal catarinense, foi estabelecida uma cota de 1.332 toneladas.
A própria regulamentação prevê que a atividade seja encerrada antes do fim do calendário oficial caso seja alcançado 90% do limite autorizado.
Embora a temporada estivesse originalmente liberada até 31 de dezembro, a rápida evolução das capturas fez com que a interrupção ocorresse ainda durante o período mais intenso da safra.
Em todo o estado, foram autorizadas 419 embarcações para atuar na modalidade de arrasto de praia durante a temporada de 2026.
O que explica a safra histórica
O encerramento acontece justamente em um ano considerado excepcional para a pesca da tainha em Santa Catarina.
Especialistas apontam que a combinação entre ciclones extratropicais, ventos persistentes do quadrante sul, sucessivas entradas de massas de ar frio e temperaturas mais baixas da água criou condições favoráveis para a migração dos cardumes em direção ao litoral catarinense.
Esses fatores alteram correntes marítimas e favorecem a aproximação dos peixes da costa, aumentando as oportunidades de captura.
Além das condições climáticas e oceanográficas, fatores como disponibilidade de alimento, preservação dos estoques pesqueiros e características biológicas da espécie também contribuíram para o desempenho da temporada.
O resultado foi uma safra considerada histórica por representantes do setor pesqueiro, com registros de capturas expressivas em diversas comunidades tradicionais do litoral catarinense.
Impacto direto nas praias da Capital
Em Florianópolis, o encerramento da modalidade de arrasto de praia atinge justamente a forma mais tradicional de pesca da tainha.
Durante os meses de safra, os ranchos se transformam em pontos de encontro para pescadores, moradores e visitantes, que acompanham a chegada dos cardumes e participam de um dos costumes mais característicos da cultura manezinha.
Com o fechamento antecipado determinado pelo sistema de cotas, a temporada da pesca artesanal da tainha nas praias da Capital chega ao fim antes do previsto, encerrando um ciclo que, neste ano, ficou marcado pelo grande volume de peixes capturados e pela intensa movimentação nas comunidades pesqueiras de Florianópolis.





Comentários