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“Que orgulho Floripa!”: UFSC ajuda a criar plataforma inédita para monitorar o El Niño

Foto do escritor: Jornal comunidade SC
Jornal comunidade SC
há 22 horas
4 min de leitura

Uma tecnologia desenvolvida com participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está ajudando a transformar a maneira como os impactos do El Niño são acompanhados no mundo.

Pesquisadores da UFSC, da Universidade de Bergen e do Bjerknes Centre for Climate Research, na Noruega, criaram o Climate News Watch, uma plataforma interativa e gratuita que reúne diariamente informações publicadas pela imprensa internacional sobre os efeitos do fenômeno climático.

A iniciativa tem participação da professora Regina Rodrigues, da UFSC, especialista em clima e El Niño. A proposta é acompanhar, praticamente dia após dia, como os diferentes eventos associados ao fenômeno aparecem nas notícias e quais impactos são relatados em diferentes partes do planeta.

E o volume de informações é enorme.


Inteligência artificial acompanha notícias em mais de cem idiomas

O funcionamento do painel chama atenção pela quantidade e pela diversidade dos dados analisados.

O sistema coleta milhares de manchetes relacionadas a acontecimentos como enchentes, secas, ondas de calor, incêndios, ciclones, tempestades e perdas na agricultura e na pesca.

Essas notícias são publicadas em mais de cem idiomas.

Uma inteligência artificial analisa cada manchete na língua original, faz a tradução, identifica o país onde o acontecimento ocorreu, classifica o tipo de evento e também avalia a gravidade da situação relatada.

Com essas informações, a plataforma cria o chamado Termômetro das Notícias.

O índice procura mostrar como os acontecimentos climáticos estão sendo retratados pela imprensa. Quando aumentam as referências a alertas, danos, mortes e consequências graves, o indicador também sobe.


Notícias são comparadas com os desastres registrados

O painel não fica restrito ao que aparece nas manchetes.

As informações coletadas são comparadas com registros de desastres do Global Disaster Awareness and Coordination System, sistema de alerta da Organização das Nações Unidas e da Comissão Europeia.

Com isso, a ferramenta consegue apresentar uma comparação entre o volume e o tom das notícias e a dimensão dos eventos registrados.

Em outras palavras, o sistema permite observar quando a repercussão na imprensa está maior ou menor do que a intensidade do próprio desastre registrado.

O usuário também pode cruzar essas informações com dados climáticos.

No mesmo ambiente, é possível acompanhar informações como temperatura da superfície do mar, formação de nuvens, vento e chuva.

Uma linha do tempo permite voltar para períodos anteriores e observar como as notícias evoluíram junto com as condições climáticas.


Projeto transforma notícias em dados para pesquisa

Por trás de toda essa estrutura existe uma parte considerada fundamental para os pesquisadores: a formação de um grande banco de dados.

Normalmente, estudos sobre fenômenos como o El Niño analisam os dados climáticos e seus impactos sociais e econômicos de maneira separada.

Um dos problemas é que muitas informações sobre os efeitos na população não estão reunidas em uma única base organizada.

Elas aparecem espalhadas por milhares de reportagens, em diferentes países e idiomas.

A utilização de modelos de linguagem permite transformar esse conteúdo em informações estruturadas.

A tecnologia consegue organizar dados como país, data, tipo de evento, gravidade, número de mortes e a causa atribuída ao acontecimento pela própria reportagem.

Isso abre espaço para novas análises sobre os efeitos do El Niño.


Plataforma pode ajudar a entender impactos na sociedade

Com o banco de dados formado a partir das notícias, os pesquisadores poderão investigar diferentes questões relacionadas ao fenômeno climático.

Entre elas estão os investimentos feitos pelos governos para prevenção, os valores gastos posteriormente na recuperação de áreas atingidas, os impactos na saúde e os prejuízos enfrentados pelas populações.

Também será possível relacionar essas informações, país por país, com a intensidade do El Niño medida pelos dados climáticos.

Outro ponto que poderá ser estudado é a forma como os próprios acontecimentos são relacionados ao fenômeno.

A plataforma poderá ajudar os pesquisadores a verificar, por exemplo, se os eventos noticiados estão sendo atribuídos ao El Niño e como essa relação aparece na cobertura internacional.


UFSC participa de uma ferramenta que continuará depois do El Niño

Embora o projeto tenha surgido em meio ao acompanhamento do chamado Super El Niño e dos episódios de extremos climáticos associados ao fenômeno, a plataforma não foi pensada para funcionar apenas durante esse período.

A coleta de informações poderá continuar depois do encerramento do fenômeno.

Isso significa que o banco de dados poderá crescer ao longo do tempo e servir para pesquisas futuras sobre eventos climáticos e seus impactos sociais.

Outro diferencial é que o Climate News Watch foi desenvolvido também como uma ferramenta aberta ao público.

Qualquer pessoa pode acessar o painel e acompanhar as informações reunidas sobre os acontecimentos climáticos no mundo.

Para Florianópolis, a participação da UFSC coloca pesquisadores da universidade no centro de uma iniciativa que conecta ciência, inteligência artificial, dados climáticos e informações produzidas diariamente em diferentes partes do planeta.

A plataforma transforma um volume gigantesco de notícias em dados que podem ser visualizados e analisados, permitindo acompanhar não apenas o comportamento do clima, mas também a forma como os impactos desses eventos chegam às pessoas e são registrados ao redor do mundo.

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