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Supermercado mais caro: como as famílias de Florianópolis estão mudando os hábitos para enfrentar a alta dos alimentos

  • Foto do escritor: Jornal comunidade SC
    Jornal comunidade SC
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Ir ao supermercado deixou de ser uma tarefa rotineira para se transformar em um exercício constante de planejamento para muitas famílias de Florianópolis. A cada nova compra, o consumidor se depara com preços diferentes, precisa comparar marcas, rever a lista e, em muitos casos, abrir mão de produtos que até pouco tempo faziam parte da alimentação do dia a dia.

Os números mais recentes do Índice de Custo de Vida (ICV) mostram que essa sensação percebida nos corredores dos supermercados tem fundamento. Em junho, a inflação na Capital registrou alta de 0,53%, e, mais uma vez, a alimentação foi a principal responsável pelo avanço do custo de vida.

Embora o índice tenha ficado abaixo do registrado em maio, quando a inflação chegou a 0,65%, o orçamento das famílias continua pressionado. O levantamento revela que os alimentos consumidos dentro de casa seguem liderando a alta dos preços e exigindo mudanças nos hábitos de compra.



O carrinho continua mudando de um mês para o outro

Quem costuma fazer as compras semanalmente percebe que alguns produtos praticamente trocaram de lugar entre os itens mais caros.

Em junho, a cebola foi o alimento que mais chamou atenção, com aumento de 30,05%. Logo atrás veio a batata inglesa, que ficou 10,34% mais cara.

Mas os reajustes não pararam por aí.

Produtos básicos presentes diariamente na mesa dos moradores da Grande Florianópolis também ficaram mais caros, como o feijão preto, que subiu 4,19%, o arroz, com alta de 2,80%, os ovos, que aumentaram 3,94%, e as coxas de frango, que registraram reajuste de 5,49%.

Nem mesmo a padaria escapou da inflação. O bolo pronto ficou 7,05% mais caro, enquanto o pão francês teve aumento de 2,27% e o pão de queijo subiu 2,48%.

As bebidas também acompanharam essa tendência. Refrigerantes, cervejas e chá em sachê registraram reajustes, assim como diversos cortes de carne bovina.


A consequência aparece antes mesmo de chegar ao caixa

Com tantos reajustes concentrados em produtos de consumo frequente, muitas famílias passaram a reorganizar a maneira como fazem compras.

A comparação de preços entre supermercados, atacarejos, feiras e mercados de bairro tornou-se ainda mais comum. Promoções passaram a influenciar diretamente a escolha dos produtos, enquanto marcas tradicionais muitas vezes cedem espaço para opções mais econômicas.

Também cresce o hábito de comprar apenas o necessário para a semana, evitando desperdícios e aproveitando ofertas que surgem ao longo do mês.

Essa mudança acontece porque grande parte dos produtos que registraram alta faz parte da alimentação básica dos catarinenses, tornando difícil substituir completamente determinados itens.


Nem tudo aumentou

Apesar da pressão nos alimentos, alguns produtos apresentaram queda de preço e ajudaram a reduzir parcialmente o impacto da inflação.

A maçã ficou 16,02% mais barata em junho.

Também registraram redução o milho para pipoca, com queda de 10,93%, a melancia, que caiu 6,17%, o café em pó, com redução de 3,07%, a água de coco, que ficou 3,77% mais barata, além do açúcar refinado, que teve queda de 4,61%.

Embora essas reduções tragam algum alívio, elas não foram suficientes para impedir que a alimentação liderasse novamente a inflação na Capital.



Comer fora também pesa mais no orçamento

O aumento dos preços não ficou restrito aos supermercados.

Quem costuma almoçar em restaurantes, fazer um lanche ou consumir refeições prontas também encontrou valores mais elevados em junho.

A alimentação fora do domicílio registrou alta de 0,37%.

Entre os reajustes aparecem o crepe, que ficou 5,28% mais caro, os salgadinhos, com aumento de 3,70%, os sucos naturais, que subiram 2,67%, além do valor médio das refeições em restaurantes, que também apresentou reajuste.

Na prática, tanto preparar as refeições em casa quanto comer fora passou a exigir um planejamento financeiro ainda maior.


Outros gastos também aumentaram

Além da alimentação, outros setores contribuíram para o aumento do custo de vida em Florianópolis.

Os artigos de residência lideraram as altas entre os grupos pesquisados, com avanço de 1,97%, impulsionado principalmente pelos móveis e pelos itens de cama, mesa e banho.

Na sequência aparecem saúde e cuidados pessoais, com aumento de 1,33%, despesas pessoais, que avançaram 1,26%, comunicação, com alta de 0,86%, e educação, que registrou pequena elevação de 0,02%.

Por outro lado, alguns setores apresentaram redução.

O vestuário caiu 1,30%, refletindo a diminuição nos preços das roupas.

Os transportes registraram queda de 0,40%, favorecidos pela redução dos combustíveis e das passagens aéreas.

Já o grupo habitação apresentou recuo de 0,17%, influenciado pela diminuição em alguns custos relacionados a aluguel, taxas e materiais para pequenos reparos.


Inflação continua acumulando alta em 2026

Os dados mostram que o aumento dos preços não é um movimento isolado de junho.

Nos seis primeiros meses de 2026, o Índice de Custo de Vida de Florianópolis acumula alta de 3,93%.

No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em junho, a inflação já alcança 5,14%, refletindo um cenário de aumento gradual do custo de vida para as famílias da Capital.

O levantamento considera o comportamento de preços de 297 produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. Em junho, 123 itens ficaram mais caros, 92 mantiveram os preços e apenas 82 apresentaram redução.

Esses números ajudam a explicar uma realidade que já faz parte da rotina de milhares de moradores de Florianópolis: o carrinho de supermercado continua sendo montado com mais pesquisa, mais planejamento e escolhas cada vez mais cuidadosas.



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