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Parque Natural Municipal do Morro da Cruz ganha novas regras de uso e preservação

Foto do escritor: Jornal comunidade SC
Jornal comunidade SC
há 1 dia
3 min de leitura


Em meio aos bairros e comunidades da região central de Florianópolis, o Parque Natural Municipal do Morro da Cruz tem uma função que vai além de compor a paisagem da Ilha de Santa Catarina. A área abriga um importante remanescente de Mata Atlântica, protege nascentes e contribui para o equilíbrio ambiental em uma das regiões mais urbanizadas da cidade. Agora, o parque passa a contar com regras detalhadas para orientar sua conservação e definir como o espaço poderá ser utilizado.

O plano de manejo do Parque Natural Municipal do Morro da Cruz (PANAMC) foi publicado pela Prefeitura de Florianópolis nesta quarta-feira (28 de outubro), por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram). O documento estabelece o zoneamento da unidade de conservação e as normas para atividades realizadas dentro da área protegida, conforme a Portaria FLORAM nº 043/2026.

Com a publicação, Florianópolis chega a dez planos de manejo publicados para suas unidades de conservação já consolidadas. A única que ainda não conta com o documento é o Monumento Natural Municipal da Ilha do Campeche, unidade mais recente do município, cujo plano está em fase inicial de elaboração.

O Parque Natural Municipal do Morro da Cruz possui 129,20 hectares e está localizado no maciço de mesmo nome, na porção central da Ilha de Santa Catarina. A área protegida faz divisa com comunidades como Monte Serrat, Alto da Caieira e Serrinha, que convivem diretamente com o parque e seu entorno.

Uma das particularidades do local é justamente estar cercado pela ocupação urbana. Diferentemente de unidades de conservação situadas em áreas mais afastadas, o Morro da Cruz reúne vegetação nativa e estruturas da cidade em um mesmo território, o que exige regras específicas para conciliar a preservação ambiental com as atividades desenvolvidas nas proximidades.

O parque protege um trecho de Floresta Ombrófila Densa, formação vegetal da Mata Atlântica. Também exerce influência sobre o microclima da região central, abriga diversas nascentes que abastecem bacias hidrográficas locais e funciona como refúgio para espécies da fauna e da flora. A vegetação contribui ainda para a conexão ecológica entre áreas naturais em meio à malha urbana.

O plano de manejo divide o parque em nove zonas, cada uma com objetivos e regras próprias. Na prática, essa divisão orienta a Floram na avaliação de atividades que possam ocorrer dentro da unidade, desde a abertura de trilhas até a instalação de estruturas.

A maior área de proteção integral é a Zona Intangível, que corresponde a 49,45% do parque. Nesse espaço, a prioridade é manter as características naturais preservadas e permitir o monitoramento ambiental, sem visitação pública.

As demais zonas concentram atividades compatíveis com os objetivos da unidade de conservação, incluindo visitação, lazer e educação ambiental. Entre os espaços contemplados estão áreas relacionadas à sede do parque, às trilhas e aos mirantes. A divisão busca estabelecer onde determinadas atividades podem ocorrer e quais condições devem ser respeitadas.

O documento também delimita uma zona de amortecimento no entorno do parque. Essa faixa varia de 50 a 500 metros e estabelece regras específicas para novas atividades e empreendimentos que possam provocar impactos sobre a área protegida. A medida permite considerar os efeitos de intervenções realizadas não apenas dentro dos limites do parque, mas também nas áreas próximas.

A elaboração do plano também envolveu a participação da comunidade. A criação do Parque Natural Municipal do Morro da Cruz teve origem na mobilização de associações de moradores do maciço, e a revisão do documento manteve essa relação com o território. Oficinas reuniram moradores, representantes de escolas e conselheiros para discutir a realidade local e contribuir para a definição das diretrizes de gestão.

Com o novo plano, o município passa a ter documentos de manejo publicados para todas as unidades de conservação já consolidadas. O próximo passo será avançar na elaboração do plano do Monumento Natural Municipal da Ilha do Campeche, que já conta com discussões em andamento em um grupo de trabalho instituído para essa finalidade.

Os planos de manejo das unidades de conservação municipais estão disponíveis no site oficial da Prefeitura de Florianópolis. Os documentos permitem consultar as regras de cada área protegida, incluindo o zoneamento e as orientações que devem ser observadas para o uso desses espaços.

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