Tradição que vem do mar: Corrida de Canoa movimenta o Centro Histórico de São José
- Jornal comunidade SC

- há 8 horas
- 2 min de leitura
Evento chega à 4ª edição no Trapiche e reúne pescadores, cultura açoriana e histórias de família neste domingo (15)
Mais do que uma competição, a Corrida de Canoa a Vela e a Remo é um encontro de histórias, tradições e memórias que atravessam gerações em São José. Neste domingo (15), a partir das 10h, o Trapiche do Centro Histórico, o evento que integra a programação dos 276 anos do município, volta a ser palco de uma das manifestações culturais mais ligadas à identidade açoriana do município.

Quem quiser participar também pode entrar na disputa. A organização orienta que os interessados cheguem cerca de meia hora antes do início das provas para realizar a inscrição. A programação inclui as categorias canoa a vela, canoa a remo, além da escolha da Canoa Mais Bonita e da tradicional Abertura de Tarrafa, atividades que celebram a cultura pesqueira e o modo de vida das comunidades litorâneas.
Entre os participantes está Lourival de Medeiros, organizador do evento e um dos defensores da preservação da tradição das canoas artesanais. Ele conta que aprendeu o ofício ainda criança, observando o trabalho do pai e do avô, ambos moradores da Ponta de Baixo. “Aprendi a esculpir canoas com meu pai, seu Lalau, e com meu avô, seu João Pereira. Eles eram nativos da Ponta de Baixo e foi com eles que aprendi esse ofício que faz parte da nossa cultura”, relembra.
Para esta edição, Lourival preparou uma nova embarcação. A canoa foi construída de forma totalmente artesanal, um processo que levou 10 meses para ser concluído, seguindo as técnicas tradicionais transmitidas pela família. Na edição passada, ele conquistou o terceiro lugar, mas agora chega com novidades. “Essa canoa levou 10 meses para ficar pronta. Fiz alguns aperfeiçoamentos e agora ela tem duas velas. A expectativa é melhorar o resultado e, quem sabe, chegar em primeiro lugar”, conta.
Tradição açoriana
A motivação também vem da família. A mãe de Lourival, dona Neném, de 94 anos, está internada, mas deve receber alta ainda nesta semana. Segundo ele, ela já deixou claro que não pretende perder a corrida. A expectativa é que ela esteja presente no trapiche para assistir e torcer pelo filho.
Além do aspecto esportivo, o evento busca preservar uma herança cultural que remonta à colonização açoriana em Santa Catarina. Quando os açorianos chegaram ao litoral catarinense, encontraram canoas já utilizadas pelos povos indígenas. Com o tempo, adaptaram a embarcação, criando características próprias, como a canoa de corte de proa.
Para a construção dessas canoas, são utilizadas madeiras como garapuvu, canela e figueira, mantendo viva uma técnica tradicional passada de geração em geração. Para Lourival, a corrida tem um papel importante na preservação dessa história. “O objetivo é promover a confraternização entre pescadores de várias localidades e também resgatar a cultura, para que as novas gerações conheçam a história do nosso município”, afirma.
O evento conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de São José. Para o secretário Toninho Silveira, iniciativas como essa ajudam a manter vivas as tradições da cidade. “A Corrida de Canoa valoriza as nossas raízes açorianas e mantém viva uma tradição que faz parte da história de São José. É um momento de cultura, de encontro da comunidade e também de valorização da nossa identidade”, destaca.





Comentários