Democratas conquistam Câmara e Senado nos Estados Unidos e impõem derrota a Trump


As eleições legislativas realizadas na terça-feira (3) nos Estados Unidos provocaram uma mudança importante no cenário político do país. O Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, retirando dos republicanos o controle das duas casas do Congresso e impondo uma derrota ao presidente Donald Trump.
O resultado representa uma alteração no equilíbrio de forças em Washington. Pelos próximos dois anos, o governo Trump terá de lidar com um Congresso controlado pela oposição, o que poderá dificultar a aprovação de projetos e abrir espaço para uma atuação mais intensa dos parlamentares democratas na fiscalização do Executivo.
Na apuração divulgada até a última atualização dos resultados, os democratas somavam 54 das 100 cadeiras do Senado, contra 44 dos republicanos. Duas vagas ainda aguardavam definição.
Na Câmara dos Representantes, os democratas haviam alcançado 228 cadeiras, enquanto os republicanos contabilizavam 139. Outros 68 assentos ainda estavam pendentes. Como a Casa tem 435 integrantes, são necessários pelo menos 218 deputados para formar maioria absoluta.
Sete estados registraram viradas democratas no Senado
Uma das principais marcas da eleição foi o avanço democrata em estados tradicionalmente alinhados aos republicanos. A legenda conquistou sete cadeiras que estavam sob controle do partido adversário, ampliando sua presença no Senado.
As viradas ocorreram no Texas, na Carolina do Norte, na Carolina do Sul, em Ohio, Iowa, Kansas e Maine.
No Texas, o democrata James Talarico derrotou Ken Paxton e conquistou uma cadeira em um dos estados mais identificados com o Partido Republicano. Talarico é deputado estadual desde 2018 e ganhou projeção nacional durante a campanha, que também destacou sua atuação como seminarista presbiteriano.
Na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper venceu Michael Whatley. O resultado marcou a primeira vitória democrata em uma eleição para o Senado pelo estado desde 2008.
Outra disputa que chamou atenção ocorreu na Carolina do Sul. A médica pediatra Annie Andrews derrotou Darline Graham e conquistou uma cadeira para os democratas em um estado que havia registrado ampla vantagem de Trump na eleição presidencial de 2024.
Em Ohio, Sherrod Brown venceu o republicano Jon Husted em uma das disputas mais acirradas da eleição. Brown já havia ocupado uma cadeira no Senado por 18 anos antes de perder a eleição de 2024.
No Iowa, Josh Turek derrotou Ashley Hinson. O democrata, que conquistou medalhas de ouro no basquete em cadeira de rodas nos Jogos Paralímpicos de 2016 e 2020, também se destacou por sua trajetória na política estadual.
No Kansas, Adam Hamilton venceu Roger Marshall. A conquista tem significado histórico para os democratas: segundo os dados apresentados na apuração, foi a primeira vez desde 1932 que o partido elegeu um senador pelo estado.
Já no Maine, Troy Jackson derrotou a senadora republicana Susan Collins, garantindo mais uma cadeira para a legenda.
Trump diz que aceitará resultado, mas sinaliza possibilidade de vetos
Depois da confirmação da maioria democrata nas duas casas do Congresso, Donald Trump afirmou que está disposto a trabalhar com os integrantes do partido adversário.
O presidente declarou que aceita o resultado e que pretende buscar entendimentos com os democratas em pautas do governo. Entre os assuntos mencionados está a imigração.
Apesar da disposição anunciada para negociar, Trump também sinalizou que poderá utilizar o poder de veto diante de propostas aprovadas pelo Congresso.
Após os primeiros resultados desfavoráveis aos republicanos, o presidente publicou a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”. Durante a campanha, ele já havia afirmado que poderia barrar projetos enviados pelos democratas e, posteriormente, negociar acordos com a oposição.
Com a nova composição do Legislativo, o governo terá de considerar a posição de uma maioria que não pertence ao partido do presidente. A oposição também poderá ampliar as investigações sobre a administração federal e seus aliados, além de exercer influência sobre a tramitação de propostas e indicações para cargos importantes.
O que muda com o controle democrata do Congresso
Nos Estados Unidos, o Congresso é formado por duas casas: a Câmara dos Representantes e o Senado. O controle dessas estruturas tem influência direta sobre a aprovação de leis, o orçamento federal, a fiscalização do governo e outras decisões nacionais.
A Câmara possui 435 cadeiras, e todos os mandatos são renovados a cada dois anos. No Senado, são 100 integrantes, com mandatos de seis anos. Por isso, a cada eleição de meio de mandato, aproximadamente um terço das vagas da Casa é colocado em disputa.
As eleições realizadas na metade do mandato presidencial recebem o nome de midterms. Diferentemente do sistema brasileiro, em que a composição do Congresso é renovada parcialmente conforme o calendário eleitoral nacional, nos Estados Unidos toda a Câmara dos Representantes passa por votação a cada dois anos.
Na eleição deste ano, além das 435 cadeiras da Câmara, 35 das 100 vagas do Senado estavam em disputa.
Com a maioria nas duas casas, os democratas passam a ter maior capacidade de definir a agenda legislativa e conduzir votações. O Senado também ganha importância nas decisões relacionadas à confirmação de indicados para cargos federais, incluindo eventuais indicações para a Suprema Corte.
A nova composição do Congresso deverá influenciar diretamente a relação entre o Legislativo e a Casa Branca durante os próximos dois anos, em um período no qual o governo Donald Trump terá de negociar com uma oposição fortalecida.





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