Em Florianópolis, pesquisa da UFSC procura cães com diabetes para tratamento gratuito


Tutores de cães que convivem com o diabetes podem participar de uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. O estudo está com seleção aberta para cães com e sem diabetes que atendam aos critérios definidos pela equipe.
A pesquisa investiga uma terapia complementar ao tratamento convencional do diabetes mellitus, utilizando um produto natural de origem vegetal rico em compostos bioativos. A proposta é avaliar possíveis efeitos relacionados ao metabolismo celular, ao estresse oxidativo e à inflamação.
Para os animais selecionados, a participação será gratuita. A pesquisa oferece a terapia complementar investigada, exames laboratoriais de rotina e acompanhamento veterinário durante o período do estudo.
A iniciativa chama atenção especialmente para tutores que acompanham de perto a rotina de cães diabéticos, já que o projeto pretende analisar não apenas os níveis de glicose, mas também outros processos que podem permanecer alterados mesmo quando o animal está clinicamente estável.
Pesquisa acompanha cães com e sem diabetes
O estudo terá dois grupos de animais: cães saudáveis e cães diagnosticados com diabetes mellitus.
Os animais saudáveis serão utilizados como parâmetro para a avaliação. A equipe pretende comparar os resultados dos exames realizados nos dois grupos e, posteriormente, verificar se os cães diabéticos apresentam mudanças nos parâmetros avaliados após o período de tratamento.
A proposta é compreender melhor as diferenças entre o organismo de um animal saudável e o de um cão com alterações metabólicas provocadas pelo diabetes.
De acordo com a equipe da pesquisa, controlar a glicose é uma parte fundamental do tratamento, mas algumas alterações podem continuar presentes mesmo quando o animal está clinicamente estável. Entre elas estão o estresse oxidativo, a inflamação de baixo grau e alterações na função celular.
É justamente nesse ponto que a terapia complementar está sendo investigada.
Produto vegetal será estudado junto com a insulina
A pesquisa não propõe substituir a insulina utilizada pelos cães diabéticos. O produto de origem vegetal será investigado como complemento à insulinoterapia, que continua sendo utilizada pelos animais participantes que já fazem esse tratamento.
A equipe explica que processos como inflamação crônica e estresse oxidativo podem persistir em animais diabéticos mesmo com o controle da doença. Ao longo do tempo, essas alterações podem estar relacionadas à resistência à insulina e ao desenvolvimento de complicações.
O produto estudado possui diferentes compostos bioativos. Entre eles estão os tocoferóis, formas de vitamina E associadas à ação antioxidante, que estão entre os componentes que motivam a investigação científica.
O objetivo do estudo é verificar, por meio de avaliações clínicas e laboratoriais, se a abordagem complementar produz alterações nos parâmetros metabólicos e fisiológicos analisados.
Cães terão acompanhamento veterinário
Os animais participantes serão acompanhados durante todo o período da pesquisa. O atendimento será realizado pelo médico-veterinário e mestrando Higor Camargo, responsável pelo projeto.
O acompanhamento inclui visitas domiciliares, avaliações clínicas e coleta de sangue.
Entre os exames previstos estão hemograma, avaliações das funções renal e hepática, além das dosagens de glicose e frutosamina. Também serão realizadas análises específicas relacionadas aos objetivos da pesquisa.
As amostras destinadas às avaliações do projeto serão processadas e armazenadas na própria Universidade Federal de Santa Catarina.
Para os tutores, isso significa que os cães selecionados terão acompanhamento veterinário ao longo da pesquisa sem cobrança pelos procedimentos previstos no estudo.
Quem pode participar da pesquisa
A seleção é destinada a duas categorias de animais: cães saudáveis e cães com diabetes mellitus.
Para participar, os animais precisam atender aos seguintes critérios:
ter entre 5 e 15 anos;
pesar entre 5 e 15 quilos;
ser macho ou fêmea;
no caso dos cães diabéticos, possuir diagnóstico prévio da doença;
no caso dos cães diabéticos, já utilizar insulina;
não apresentar comorbidades graves, condição que será avaliada pela equipe responsável.
O preenchimento dos critérios não significa participação automática. Os cães passarão por um processo de triagem para verificar se estão aptos a integrar o estudo.
Como cadastrar o cão
Os tutores interessados em participar podem realizar o cadastro pelo site oficial do projeto Vet Ciência Clínica.
Para dúvidas e orientações sobre a seleção, a equipe disponibiliza também atendimento pelo telefone ou WhatsApp (47) 98914-1168 e pelo e-mail vetcienciaclinica@gmail.com.
A participação na pesquisa depende do atendimento aos critérios estabelecidos e da avaliação realizada pela equipe responsável.
Pesquisa reúne pesquisadores de diferentes áreas da UFSC
O estudo é conduzido por Higor Camargo, médico-veterinário e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária Convencional e Integrativa (PPGMVCI) da UFSC.
A orientação envolve os professores e médicos-veterinários Malcon Andrei Martinez Pereira e Aline Félix Schneider Bedin, além da professora Jane Mara Block, presidente da Sociedade Brasileira de Óleos e Gorduras.
A pesquisa também conta com a colaboração científica da professora Heloisa Pamplona Cunha, do Departamento de Análises Clínicas da UFSC, especialmente nas etapas laboratoriais.
O projeto tem apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e reúne pesquisadores e estruturas de diferentes áreas da universidade, incluindo o Centro de Ciências Agrárias, o Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos, o Centro de Ciências Biológicas e o Departamento de Análises Clínicas.
De onde surgiu a ideia do estudo
A origem da pesquisa está ligada à trajetória profissional de Higor Camargo. Durante a residência multiprofissional em Clínica Médica de Animais de Companhia, realizada na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), o pesquisador participou de ações de Saúde Pública com comunidades quilombolas da Amazônia.
A experiência proporcionou contato com conhecimentos tradicionais relacionados ao uso de plantas medicinais e despertou o interesse pela investigação científica de produtos naturais.
Esse interesse acabou sendo levado para o mestrado na UFSC e direcionado ao estudo de uma possível abordagem complementar para cães com diabetes.
Agora, em Florianópolis, a pesquisa busca voluntários caninos para avançar na investigação sobre os mecanismos relacionados ao diabetes e avaliar os possíveis efeitos da terapia complementar estudada.
Para os tutores interessados, o primeiro passo é realizar o cadastro e verificar se o animal atende aos critérios necessários para a triagem.





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