Escola da Capital qualifica aprendizado com novas práticas


A Escola Básica Intendente Aricomedes da Silva (EBIAS), da rede municipal de Florianópolis, reorganizou práticas pedagógicas, avaliações, espaços e estratégias de apoio aos estudantes durante o ano letivo. O movimento mostra como a Escola da Capital qualifica aprendizado a partir da análise de indicadores educacionais, após registrar 5,8 pontos no IDEB mais recente, ante 6,0 em 2023, enquanto acompanha os resultados das intervenções adotadas em parceria com a Secretaria Municipal de Educação.
Escola da Capital qualifica aprendizado a partir de dados
A revisão da rotina começou antes mesmo da divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). A proposta era identificar dificuldades de aprendizagem e compreender quais procedimentos poderiam ser ajustados para atender às necessidades encontradas dentro das salas de aula.
Bárbara dos Santos, que assumiu a direção da EBIAS em maio, considera que indicadores educacionais oferecem informações que ajudam a localizar pontos da formação dos estudantes que merecem acompanhamento. Para a gestora, os números precisam ser interpretados considerando as diferentes variáveis que influenciam uma avaliação.

O resultado da escola passou de 6,0, em 2023, para 5,8 no levantamento mais recente, uma redução de 0,2 ponto. Florianópolis, considerando a rede municipal, apresentou crescimento no IDEB e foi a capital brasileira com maior avanço tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais do ensino fundamental.
Material estruturado entra no planejamento pedagógico
Desde o início do semestre, a unidade passou a utilizar de maneira mais efetiva o material estruturado produzido pela Prefeitura de Florianópolis. O conteúdo é aplicado do 1º ao 5º ano e no 8º e 9º ano, mantendo relação com habilidades previstas na matriz pedagógica da rede.
Segundo Bárbara, parte da equipe demonstrava resistência ao material. O trabalho realizado durante o período letivo buscou incorporá-lo ao planejamento dos professores como instrumento de apoio ao desenvolvimento das habilidades esperadas em cada etapa escolar.
A escola promoveu momentos de planejamento, acompanhamento das aulas e discussões coletivas sobre os desafios identificados. A leitura dos resultados deixa de funcionar apenas como registro de desempenho quando passa a orientar intervenções pedagógicas e novas formas de acompanhar a aprendizagem.
Apoio considera diferentes níveis de aprendizagem
No 2º ano, em determinados dias, os estudantes são distribuídos em três grupos conforme suas necessidades: aprofundamento, recomposição e alfabetização. A organização permite trabalhar atividades adequadas aos diferentes estágios de desenvolvimento encontrados dentro de uma mesma etapa escolar.
Nos outros anos, alunos que apresentam maiores dificuldades recebem apoio em Língua Portuguesa e Matemática durante duas aulas semanais. A proposta procura concentrar esforços justamente nas habilidades em que o acompanhamento identifica necessidade de reforço.
O 4º e o 5º ano contam ainda com período integral. A ampliação do tempo disponível cria espaço para atividades pedagógicas, acompanhamento e medidas de apoio relacionadas ao percurso escolar.
Salas fixas buscam ampliar tempo dedicado às aulas
Outra mudança ocorreu na organização física da EBIAS. A escola utilizava salas ambientes, modelo no qual os estudantes precisavam mudar de espaço conforme o componente curricular.
A experiência revelou dificuldades relacionadas aos deslocamentos, organização das turmas, conservação dos ambientes e disponibilidade de salas. A unidade passou, então, a manter cada turma em uma sala fixa, buscando reduzir o tempo consumido nas trocas e ampliar o período efetivamente dedicado às atividades educacionais.
Frequência e pontualidade passaram a receber acompanhamento mais próximo. Nos casos de ausências ou atrasos recorrentes, a equipe procura as famílias para dialogar sobre a presença dos estudantes e sua relação com as oportunidades de aprendizagem.
Avaliações acompanham efeitos das mudanças
As medidas vêm sendo observadas por meio das avaliações realizadas durante o ano. Segundo dados apresentados pela EBIAS, todos os anos avaliados registraram evolução, enquanto algumas provas de Língua Portuguesa indicaram crescimento de aproximadamente cinco a sete pontos percentuais e houve avanços em Matemática.
A direção trata esses resultados como parte de um processo contínuo de identificação de necessidades, planejamento, intervenção e nova análise. Para Bárbara, a aprendizagem exige acompanhamento permanente, enquanto as ações formativas e o diagnóstico mais preciso das dificuldades começam a permitir a observação de avanços.
O secretário municipal de Educação, Eduardo Gutierres, relaciona a reorganização às mudanças no sistema de avaliação, uso do material estruturado, suporte aos professores, recomposição da aprendizagem, adequação dos espaços e acompanhamento da frequência. Segundo ele, os dados deverão continuar sendo utilizados para aperfeiçoar estratégias e criar condições para o avanço dos estudantes, com reflexos esperados no próximo IDEB.





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