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Justiça de SC coloca mulher sob curatela por compulsão por apostas; São José reforça apoio às famílias

Foto do escritor: Jornal comunidade SC
Jornal comunidade SC
há 23 horas
3 min de leitura

Recentemente, a Justiça de Santa Catarina determinou que uma mulher com compulsão por apostas tenha a curatela limitada à administração do próprio patrimônio. A decisão chamou atenção para uma situação que vai muito além das perdas financeiras e que pode atingir diretamente a rotina, os relacionamentos e a segurança econômica de uma família.

No processo analisado pela Justiça catarinense, documentos apresentados no caso apontaram um quadro de comportamento compulsivo relacionado às apostas, com movimentações financeiras expressivas, contratação de empréstimos e comprometimento do patrimônio. A mulher apresentava preservação da capacidade para outros atos da vida civil, mas, diante da dificuldade de controlar os gastos durante os episódios compulsivos, a Justiça estabeleceu uma curatela restrita aos atos de natureza patrimonial.

O caso mostra como a dependência em apostas pode chegar a consequências que ultrapassam o ambiente financeiro. E o alerta ganha ainda mais importância diante do crescimento da procura por atendimento relacionado ao chamado transtorno do jogo.

Em São José, a Gestão Municipal de Saúde já vem reforçando o atendimento e a orientação para pessoas que enfrentam esse tipo de problema. A estratégia busca acolher não apenas quem apresenta comportamento compulsivo, mas também familiares que muitas vezes percebem os sinais antes que a situação chegue a consequências mais graves.

Por meio da rede municipal de saúde, o município passou a dar atenção específica ao tema. No CAPS AD de São José, um grupo voltado ao acompanhamento de pessoas afetadas pelas apostas reúne atualmente 16 pacientes, enquanto outras oito pessoas aguardam atendimento.

A iniciativa coloca São José entre os municípios que estão tratando o problema também como uma questão de saúde pública, e não apenas como uma dificuldade financeira ou uma escolha individual.

O alerta da Secretaria Municipal de Saúde é para que familiares e pessoas próximas fiquem atentos a mudanças de comportamento. Aumento dos gastos com apostas, tentativas repetidas de recuperar dinheiro perdido, empréstimos para continuar apostando, esconder informações financeiras e comprometimento de despesas básicas podem indicar que a situação deixou de ser apenas uma atividade de lazer.

Outro ponto de atenção é quando as apostas começam a interferir no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos ou na própria organização financeira da casa.

Em situações de compulsão, a pessoa pode continuar apostando mesmo depois de perceber os prejuízos causados pela atividade. É justamente nesse momento que o acompanhamento profissional pode fazer diferença, tanto para interromper o ciclo quanto para reduzir os impactos sobre a família.

O tema também tem chamado atenção em razão das consequências emocionais associadas ao transtorno. Pessoas que acumulam dívidas, conflitos familiares e perdas financeiras podem passar por períodos de sofrimento intenso, tornando importante buscar ajuda antes que a situação se agrave.

São José reforça que quem enfrenta esse tipo de dificuldade pode procurar a rede municipal de saúde para receber orientação e encaminhamento. O atendimento permite avaliar cada situação e indicar o acompanhamento adequado conforme a necessidade.

Para as famílias, a orientação é não ignorar os primeiros sinais. A tentativa de esconder dívidas, retirar dinheiro de outras despesas para apostar ou contrair novos empréstimos para recuperar valores perdidos pode fazer com que o problema avance rapidamente.

O caso julgado recentemente pela Justiça de Santa Catarina mostra, em uma situação concreta, até onde podem chegar os efeitos da compulsão por apostas quando o controle financeiro fica comprometido. Já a atuação de São José demonstra que o enfrentamento pode começar antes que a situação alcance consequências patrimoniais mais graves.

A proposta do município é justamente ampliar o acolhimento e facilitar o acesso ao cuidado para quem está preso nesse ciclo, oferecendo suporte para que a pessoa possa buscar ajuda e para que a família também encontre orientação diante de uma situação que, muitas vezes, começa silenciosamente.

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