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São José inicia retirada de rocha e ampliação da vazão do Rio Araújo para melhorar drenagem em Campinas

Foto do escritor: Jornal comunidade SC
Jornal comunidade SC
há 23 horas
4 min de leitura

Morador de Campinas desde 1973, aposentado de 80 anos acompanha o início da retirada de uma grande rocha do leito do Rio Araújo, uma reivindicação antiga da comunidade que agora começa a sair do papel



Há histórias que atravessam gerações. E há problemas que parecem fazer parte da paisagem até que alguém decida enfrentá-los. Em Campinas, uma grande pedra no leito do Rio Araújo é, há décadas, parte dos dois.

Aos 80 anos, o aposentado José Francisco de Melo conhece bem essa história. Morador da Rua Professor Antônio Philiphi desde 1973, ele lembra que, ainda na década de 1980, a comunidade já se organizava para reivindicar a retirada da rocha, apontada pelos moradores como um dos obstáculos à passagem das águas. Na época, foi criada a Associação Amigos de Campinas, que levou adiante a reivindicação. O pedido, porém, atravessou os anos sem que a intervenção fosse realizada.

Na manhã desta terça-feira (22), diante do maquinário que começou a trabalhar no local, José Francisco viu uma cena que esperava há cerca de quatro décadas. “Desde 1980 a gente reivindicava a retirada dessa pedra. Agora, com a determinação do prefeito Orvino, a expectativa é que finalmente essa obra ajude a diminuir os alagamentos”, conta.

A intervenção foi determinada pelo prefeito Orvino Coelho de Ávila, que esteve no local nesta terça-feira chuvosa para autorizar o início dos trabalhos. A retirada da rocha integra um conjunto de ações de macrodrenagem que vêm sendo executadas pela Prefeitura no Quadrante Sul de Campinas.

O prefeito lembrou que conhece o problema não apenas pelos relatos dos moradores. Durante o período em que viveu no bairro, também conviveu com os alagamentos. “Eu já fui morador de Campinas e sei o que significa enfrentar os problemas de alagamento aqui. Por isso estamos trabalhando na macrodrenagem do Quadrante Sul e, agora, retirando essa pedra para aumentar a vazão do Rio Araújo”, destacou.


Uma pedra que ocupa metade do rio

Mesmo sob chuva e frio, as equipes começaram a operação. O trabalho, porém, exige precisão e paciência. Segundo o engenheiro da Secretaria de Infraestrutura, Nardi Arruda, a rocha ocupa praticamente metade da largura do leito e interfere diretamente no fluxo das águas.

“Nós estamos começando uma operação que a população espera há 40 anos. Existe uma laje de pedra muito grande que obstrui praticamente metade da largura do rio. Vamos detonar e retirar essa pedra para poder entrar com as máquinas e fazer o alargamento das margens”, explica.

A intervenção será realizada no trecho localizado nas proximidades da rodoviária de Campinas. Com a retirada da rocha, as máquinas poderão acessar o leito e ampliar a seção do rio, aumentando o espaço disponível para a passagem da água. A dimensão da pedra dá a medida do desafio. De acordo com Nardi, o volume retirado deverá superar 50 metros cúbicos — o equivalente a mais de dez cargas de caminhões-caçamba.


A própria pedra vai proteger as margens

O material retirado do fundo do Rio Araújo não será simplesmente descartado. Parte das pedras, depois de fragmentadas pela detonação, será reaproveitada na própria obra. Nas áreas em que as residências estão muito próximas das margens, a Secretaria de Infraestrutura pretende utilizar o material para executar o enrocamento e reforçar a proteção das margens.

“A pedra que sair em pedaços menores será utilizada para proteger as residências que estão muito próximas do rio. Vamos fazer o enrocamento com o próprio material retirado do fundo”, explica o engenheiro. Assim, a mesma rocha que hoje representa um obstáculo à passagem da água deverá ganhar uma nova função: ajudar a proteger as margens do rio.


O relógio da obra é a maré

O trabalho não tem um prazo exato para ser concluído. A operação depende das condições climáticas e, principalmente, da maré. Nesta terça-feira, por exemplo, a elevação da maré chegou a interromper temporariamente a entrada das máquinas no leito do rio. Para utilizar o rompedor e avançar na retirada da rocha, é necessário aguardar o recuo das águas.

“É um trabalho muito minucioso. Dependemos da maré baixa, do clima e de vários fatores. Pode levar uma semana, duas ou três. Não vamos sair daqui enquanto não concluirmos o serviço”, afirma Nardi. Depois da retirada da pedra, a equipe dará sequência ao alargamento do rio e à proteção das margens.


Uma obra olhando para o próximo temporal

A intervenção ocorre em um momento em que a Prefeitura amplia as ações de prevenção e preparação da cidade para eventos climáticos extremos. O objetivo é melhorar a capacidade de escoamento das águas e reduzir os impactos das chuvas intensas.

No Rio Araújo, a estratégia combina três ações: retirar o obstáculo existente no leito, ampliar a passagem das águas e proteger as margens nos pontos mais próximos das residências. A expectativa é que o conjunto de medidas contribua para minimizar os alagamentos que historicamente atingem áreas de Campinas e regiões próximas, como Gerôncio Thives e o entorno do Ceasa.

Para José Francisco, porém, a obra representa algo que vai além de uma intervenção de engenharia. É a materialização de uma reivindicação que começou quando ele ainda era muito mais jovem e que passou de reunião em reunião, de administração em administração, acompanhando as transformações do bairro. Agora, aos 80 anos, ele volta ao mesmo rio para ver a pedra começar a sair do caminho. Quarenta anos depois, a espera encontrou uma resposta.

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